2.1 Introdução à filosofia moral de Kant

Todos fazemos distinção entre certo e errado, bem e mal, o que se deve fazer e o que não se deve fazer. São dessas questões que trata a filosofia moral. Kant,  um filósofo alemão que viveu no século XVIII, se dedicou a pensar essas questões e formulou respostas novas para essas perguntas antigas. O que Kant procurou fazer foi oferecer um fundamento para nossos julgamentos morais.

Para entender essa ideia de fundamento para juízos morais, considere o seguinte exemplo. Os esquimós, povo que vive no Alasca, têm o costume de praticar o infanticídio, ou seja, matar crianças logo que nascem, quando são indesejadas, o que acontece sobretudo com meninas. Trata-se de uma prática totalmente aceita e natural entre esse povo.

Qual nossa primeira reação ao saber que eles fazem isso com as crianças? Na maioria das vezes, julgamos essa ação dizendo que ela é errada, mesmo que ela seja aceita e praticada por todos os esquimós.

Porém, por que exatamente essa é uma ação errada? Que justificativa temos para dizer que os esquimós não deveriam fazer isso?

Para uma pessoa cristã, foi Deus quem definiu o que é certo e errado e, assim, o que devemos fazer é respeitar sua vontade. Tirar a vida de uma pessoa inocente viola a vontade divina e, portanto, é uma ação imoral. Afinal, está escrito nos dez mandamento “não matarás” e é exatamente isso que está sendo feito. Mas, caso a moralidade dependa da vontade divina, caso Deus não exista, tudo seria permitido.

Kant acreditava que não podemos estar certos de que Deus existe. Para ele, Deus era um ser que estava além da capacidade humana de conhecer. Talvez ele exista, talvez não, mas não temos como saber. Portanto, a moralidade não pode ser baseada nos mandamentos divinos e é necessário algo mais sólido para lhe servir de base.

Qual a resposta de Kant para esse problema? Há uma frase sua que afirma o seguinte

Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim.

Em outras palavras, Kant acreditava que existia uma lei moral dentro de cada pessoa. Todos os seres humanos são dotados de razão, capacidade de reflexão e pensamento, e em virtude disso, todos podemos conhecer essa lei moral, que o autor chama de imperativo categórico.

Portanto, a resposta de Kant para o problema do fundamento dos juízos morais está no chamado imperativo categórico.

 

Próximo: 2.2 Imperativo categórico

 

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