Aborto – “meu corpo, minhas regras”

Um mau argumento usado pelos defensores da legalização do aborto é o argumento feminista de que o corpo é das mulheres, pelo que as mulheres é que sabem o que hão-de fazer com ele. Este argumento limita-se a fugir à questão porque as feministas nunca chegam a dizer nada acerca do estatuto moral do feto — nunca dizem se o feto tem, ou não, o direito à vida. Esta é uma falha grave pela seguinte razão: Se o argumento das feministas fosse, simplesmente, o de que “o corpo é da mulher, a mulher é que sabe o que há-de fazer com ele”, então isso implicaria que seria moralmente permissível abortar até no nono mês. Afinal, no nono mês a criança ainda está no ventre da mãe. As feministas podem agora aceitar esta conclusão, ou rejeitá-la. Imaginemos que a aceitam. Nesse caso, ficam com a dificuldade de explicar porque é que não podemos matar uma criança recém-nascida. Afinal, podíamos matá-la dois minutos antes, mas agora já não? Isso parece extremamente arbitrário. Imaginemos agora que as feministas rejeitam a conclusão de que é moralmente permissível abortar no nono mês. Nesse caso, terão de nos dizer a partir de que altura é que o feto, ainda na barriga da mãe, começa a ter o direito à vida. Independentemente de como escolham responder a este problema, uma coisa é certa: ao admitir que não é moralmente permissível abortar no nono mês, uma feminista terá acabado de abandonar o argumento de que “o corpo é da mulher, a mulher é que sabe o que há-de fazer com ele”. O máximo que uma feminista poderá dizer é que, até determinado estádio da gravidez, é moralmente permissível abortar. A partir dessa altura, o feto adquire o direito à vida. De qualquer maneira, se o argumento feminista de que “o corpo é da mulher, a mulher é que sabe o que há-de fazer com ele” fosse mesmo levado a sério, então isso teria a implicação de que a prostituição devia ser legalizada. Afinal, o corpo é da mulher. Todavia, é quase certo que qualquer feminista que se preze se oporá à legalização da prostituição, com o argumento habitual de que a prostituição degrada a mulher à condição de mero objecto sexual.