A imoralidade do aborto segundo Marquis

De acordo com Don Marquis, fazer um aborto é uma ação imoral porque isso significa privar o feto de uma série de experiências, prazeres e projetos futuros que este poderá ter se não for abortado.

Para mostrar isso, Marquis raciocina da seguinte maneira. Em geral, tirar a vida de uma pessoa inocente é errado. E o que torna o assassinato errado para é o fato de isso privar a pessoa daquilo tudo que poderia viver caso continuasse viva. Uma criança, por exemplo, que é assassinada, perde todas aquelas experiências prazerosas que poderia ter em brincadeiras, perde todas as descobertas da adolescência, os romances, os projetos e tudo o que poderia viver quando adulto. Quer dizer, o problema do assassinato não é apenas o fato de isso causar dor à família e amigos, mas a perda que isso representa para a pessoa que é morta.

Se isso é verdade em relação à uma criança ou uma pessoa adulta, então também é verdade em relação à um feto saudável. Assim como uma pessoa que já nasceu, um feto com um mês de idade tem uma grande quantidade de experiências para viver. Ao ser interrompida a gravidez, tudo isso se perde. Todas essas experiências em potencial são destruídas. Portanto, o aborto tem o mesmo estatuto moral de um assassinato: trata-se de um erro grave.

Referência

Bruce, Michael; Barbone, Steven (Orgs). Os cem argumentos mais importantes da Filosofia Ocidental: uma introdução concisa sobre lógica, ética, metafísica, filosofia da religião, ciência, linguagem, epistemologia e muito mais. São Paulo: Cultrix, 2013.

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