Democracia na Atenas antiga

Desde o surgimento das primeiras sociedades humanas, o ser humano descobriu que a convivência em grupo, necessária para a sobrevivência em um meio hostil, acarretava inevitavelmente em conflitos entre interesses individuais. A única forma de sanar esses conflitos e conseguir a harmonia social era estabelecer uma forma de liderança que submetesse a vontade individual à vontade de um líder do grupo, normalmente o mais forte ou o mais sábio. Era um governo de um só ou de poucos.

A cidade de Atenas, na Grécia antiga, descobriu um sistema diferente de governo, no qual o governo era exercido por muitos: a democracia. Tal sistema foi sendo construído lentamente, a partir do século VI a.C.. Na época, o poder na cidade era controlado por uma elite econômica que detinha a posse de terras e de escravos. Eram os chamados eupátridas. Uma série de políticos e legisladores (Sólon, Clístenes, Péricles e Efialtes) foi, gradualmente, transferindo o poder que se concentrava na assembleia dos eupátridas (o Areópago) para a assembleia do povo, chamada de Eclésia. Esta política tinha por objetivo estender o poder político para uma camada mais ampla da população ateniense e, com isso, diminuir as tensões sociais que poderiam gerar revoltas populares. Dentro desse sistema, o principal órgão decisório da cidade era a Eclésia, que se reunia uma vez por mês numa colina de Atenas chamada Pnice. Nessas assembleias, todos os cidadãos atenienses (o que excluía os estrangeiros, os escravos e as mulheres) podiam exprimir suas opiniões acerca da política da cidade e votar nas propostas que fossem colocadas em votação pelo comitê executivo da Eclésia, o Boulé.

Com o aumento da influência ateniense na Grécia após a vitória nas guerras greco-persas e a criação da liga de Delos no século V a.C., outras cidades gregas passaram a adotar o modelo democrático de Atenas. Porém tal expansão sofreu um fim abrupto com a derrota ateniense na guerra contra Esparta, a chamada guerra do Peloponeso.

Vale destacar que o surgimento da democracia em Atenas teve um grande efeito na história da filosofia. Como o destino da cidade passou a ser determinado nas assembleias de cidadãos, tornou-se extremamente importante politicamente a capacidade de ser persuasivo nos debates. Com isso, surgiu a figura dos sofistas, que eram especialistas na arte da retórica e persuasão. Tal classe de profissionais foi duramente criticada por Sócrates e Platão, que acusaram os sofistas de não estarem interessados na busca da verdade, mas somente em convencer as pessoas acerca de determinadas ideias, não se importando se essas ideias fossem falsas ou verdadeiras. Esta crítica tornou-se um tema clássico na história da filosofia