Os benefícios potenciais de permitir a eutanásia

Por Brad Hooker

Talvez o benefício potencial mais óbvio de permitir a eutanásia é que ela pode ser usada para prevenir o prolongamento indefinido do sofrimento experimentado por muitos pacientes terminais e suas famílias. Alguém poderia alegar: mas e os remédios anestésicos já não fazem isso? Alguns tipos de dores não podem ser eliminadas com anestésicos, ou pelo menos com remédios que deixam o paciente consciente e mentalmente coerente. E além da agonia física, frequentemente existe o sofrimento psicológico do paciente e dos amigos e familiares que o acompanham. Tudo isso seria abreviado se a eutanásia fosse permitida.

Na medida em que o objetivo é acelerar o fim do sofrimento físico e emocional, a eutanásia ativa ao invés da passiva parece mais desejável. Porque a eutanásia passiva frequentemente envolve uma morte lenta e dolorosa, enquanto a ativa pode acabar com o sofrimento do paciente imediatamente. […]

Outra vantagem de permitir a eutanásia – e também nesse caso o benefício é maior se a eutanásia for ativa – diz respeito à alocação de recursos. Os recursos, tanto econômicos como humanos, que agora são destinados à manter vivas pessoa que possuem doenças incuráveis e debilitantes poderiam ser usados de maneira mais eficiente se usados para curar pessoas com doenças tratáveis ou financiar medicina preventiva ou mesmo para alimentar pessoas que estão morrendo de fome. O que eu quero dizer ao afirmar que uma mudança na alocação de recursos terá um melhor custo benefício é que isso irá aumentar a expectativa e qualidade da vida.

Para utilitaristas que consideram a autonomia da pessoa como um valor em virtude do sentimento de satisfação que esse trás e frustração que previne, não há nada mais à dizer. A eutanásia voluntária irá aumentar a autonomia pessoal, na medida em que ela dá à pessoa o controle sobre quando sua vida deve terminar. E se a eutanásia voluntária ativa for permitida, isso irá dar à pessoa algum controle sobre como sua vida termina. Obviamente considerações sobre a autonomia das pessoas contam apenas em favor da eutanásia voluntária. É irrelevante para a discussão da eutanásia não voluntária de qualquer tipo e veta completamente qualquer possibilidade de eutanásia involuntária.  

Hooker, Brad. Rule-utilitarianism and euthanasia. In: LaFollette, Hugh. Ethics in practice: an anthology. Oxford: Blackwell Publishing, 2002.

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