O que são falácias lógicas?

Falácias são defeitos em um argumento – diferente de  premissas falsas – que fazem com que um argumento seja inválido, defeituoso ou fraco. Falácias podem ser separadas em dois grupos gerais: formais e informais. Uma falácia formal é um defeito que pode ser identificado observando a estrutura lógica de um argumento em vez de qualquer afirmação específica. Falácias informais são defeitos que podem ser identificados apenas através de uma análise do conteúdo real do argumento.

Falácias Formais

As falácias formais são encontradas apenas em argumentos dedutivos com formas identificáveis. Uma das coisas que os fazem parecer razoáveis ​​é o fato de que eles se parecem e imitam argumentos lógicos válidos, mas na verdade são inválidos. Aqui está um exemplo:

  1. Todos os humanos são mamíferos. (premissa)
  2. Todos os gatos são mamíferos. (premissa)
  3. Todos os humanos são gatos. (conclusão)

Ambas as premissas nesse argumento são verdadeiras, mas a conclusão é falsa. O defeito é uma falácia formal e pode ser demonstrado reduzindo-se o argumento à sua estrutura nua:

  1. Todos são A C
  2. Todos B são C
  3. Todos são A B

Não importa o que significam A, B e C – poderíamos substituí-los por “vinhos”, “leite” e “bebidas”. O argumento ainda seria inválido e pelo mesmo motivo. Como você pode ver, pode ser útil reduzir um argumento à sua estrutura e ignorar o conteúdo para ver se ele é válido.

Falácias Informais

Falácias informais são defeitos que podem ser identificados apenas através de uma análise do conteúdo real do argumento, e não através de sua estrutura.

Aqui está um exemplo:

  1. As camisas possuem manga. (premissa)
  2. A manga é produzida por uma árvore chamada mangueira. (premissa)
  3. Camisas têm um de seus componentes produzidos pela mangueira. (conclusão)

As premissas neste argumento são verdadeiras, mas claramente, a conclusão é falsa. O defeito é uma falácia formal ou uma falácia informal? Para ver se isso é realmente uma falácia formal, temos que dividi-lo em sua estrutura básica:

  1. A = B
  2. B = C
  3. A = C

Essa estrutura é válida; portanto, o defeito não pode ser uma falácia formal e deve, em vez disso, ser uma falácia informal identificável do conteúdo. Quando examinamos o conteúdo, descobrimos que um termo chave, “manda”, está sendo usado com duas definições diferentes (o termo técnico para esse tipo de falácia é falácia de ambiguidade).

As falácias informais podem funcionar de várias maneiras. Algumas distraem o leitor do que realmente está acontecendo. Algumas, como no exemplo acima, fazem uso da ambiguidade para causar confusão. Algumas apelam à emoção ao invés de lógica e da razão.

Categorias de Falácias

Existem muitas maneiras de categorizar as falácias. Aristóteles foi o primeiro a tentar sistematicamente descrevê-las e categorizá-las, identificando treze falácias divididas em dois grupos. Desde então, muitas outras foram descritas e a categorização se tornou mais complicada. A categorização usada aqui deve ser útil, mas não é a única maneira válida de organizar falácias.

Falácias de ambiguidade

Com essas falácias, algum tipo de ambiguidade é introduzido nas premissas ou na própria conclusão. Dessa forma, uma ideia falsa pode parecer verdadeira, desde que o leitor não perceba as definições problemáticas.

Exemplos:

  • Equívoco
  • Falácia do escocês de verdade
  • Citação fora do contexto

Falácias de relevância

Todas essas falácias fazem uso de premissas que são logicamente irrelevantes para a conclusão final.

Exemplos:

  • Ad Hominem
  • Apelos à autoridade
  • Apelos à emoção e desejo

Falácias da presunção

Falácias lógicas de presunção surgem porque as premissas já assumem o que devem provar. Isto é inválido porque não há sentido em tentar provar algo que você já assume ser verdade e ninguém que duvida de uma afirmação que precisa ser provada aceitará uma premissa que já assume a verdade dessa ideia.

Exemplos:

  • Pergunta complexa
  • Falso dilema

Referências sobre falácias

Almossawi, Ali. O livro ilustrado dos maus argumentos. Rio de Janeiro: Sextante, 2017.

Schopenhauer, Arthur. 38 estratégias para vencer qualquer debate. São Paulo: Faro Editorial, 2014.

Velasco, Patrícia Del Nero. Educando para a argumentação: contribuições do ensino da lógica. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2016.

Walton, Douglas N. Lógica Informal: manual de argumentação crítica. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

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