Método Indutivo | Filosofia na Escola

Método Indutivo

O primeiro passo do método indutivo é o experimento, a observação controlada.

O método indutivo é aquele que, a partir de uma série de observações controladas, chega a uma conclusão geral, que se aplica a todos os objetos de uma determinada classe.

Para entender como o método indutivo funciona é útil usarmos um exemplo simples. Imagine que você é uma criança e ainda não compreende como o mundo funciona. Então você acorda pela manhã e observa o sol. Você percebe, depois de alguns dias de observações, que ele sempre nasce no leste. Então você conclui que isso sempre foi e sempre será assim.

Mesmo sem saber nada de lógica, você usou um tipo de raciocínio chamado de indutivo. Isso porque você chegou a uma conclusão geral (o sol sempre nasce no leste) a partir de algumas observações particulares. Você generalizou. Fazer isso é fazer um raciocínio indutivo.

Francis Bacon, pai do indutivismo

O raciocínio indutivo foi sugerido como o método científico apropriado por Francis Bacon (1561-1626). O filósofo, ao contrário de seus contemporâneos, se recusou  aceitar sem questionar as visões da natureza herdadas dos antigos gregos. Era muito comum naquela época acreditar serem verdadeiras quaisquer ideias presentes nos livros de Aristóteles ou na Bíblia.

Bacon insistiu que os cientistas deveriam investigar a natureza através da observação e experimentação cuidadosas. Ele pensava que os cientistas deveriam coletar o máximo de fatos possíveis sobre determinados fenômenos e depois disso examiná-los cuidadosamente e, só então, tirar conclusões.

Dois séculos depois de Bacon, outro filósofo, o empirista John Stuart Mill (1806–1873), tentou melhorar essas ideias. Ele elaborou o que chamou de método indutivo. O que fez foi definir regras para determinar quais generalizações eram apoiadas pelos fatos e observações realizadas por um cientista.

Na opinião de Bacon e Mill, o método científico é caracterizado por três fatores:

  1. Acúmulo de observações particulares. O método científico começa com a coleta do maior número possível de fatos observados em relação ao tópico sob investigação.
  2. Generalização a partir das observações particulares. O método científico então prossegue inferindo leis gerais a partir dos fatos particulares acumulados.
  3. Confirmação repetida. O método científico continua a acumular fatos mais específicos para ver se a generalização continua sendo verdadeira. Quanto mais casos particulares de uma “lei” forem encontrados, mais confirmação a lei terá e maior será sua probabilidade.

Assim, para o indutivista, a ciência se diferencia da opinião, superstição e preconceito por ser baseada na generalização a partir de inúmeras observações particulares. As pseudociências, ao contrário, não são solidamente baseadas em boas observações sensoriais e repetidas confirmações.

Exemplos do método indutivo

Cientistas que usaram o método indutivo tal como descrito por Bacon e Mill não são difíceis de encontrar.

Durante o século XVII, Galileu Galilei (1564–1642) interessou-se em estudar o movimento de objetos em queda. A maioria dos cientistas de seu tempo contentou-se em aceitar a opinião de Aristóteles, que havia declarado que os objetos caem mais rápido quanto mais pesados são.

Mas Galileu decidiu descobrir por si mesmo. Para isso, inventou uma série de experimentos nos quais mediu inúmeras vezes a velocidade da queda de bolas de metal com pesos diferentes de uma altura de trinta metros.

Para sua surpresa, descobriu que todas as bolas caiam na mesma velocidade, independente do peso. Além disso, Galileu também descobriu que à medida que cada bola caía e ficava mais próxima ao solo, se movia cada vez mais rápido.

Prosseguindo seu estudo, Galileu construiu planos inclinados longos e suaves e largou neles uma infinidade de bolas. Durante anos ele trabalhou, soltando cuidadosamente as bolas e cronometrando o tempo que demoravam para percorrer o plano inclinado.

Depois de um grande número de observações, formulou a importante generalização de que todos os objetos caem, na Terra, com a mesma taxa de aceleração constante. Aristóteles estava errado. Incontáveis ​​cientistas depois de Galileu confirmaram sua lei de queda de corpos, tornando-a uma lei altamente provável.

Então, o que Galileu fez é basicamente o que propõe os defensores do método indutivo: observação e generalização. Porém, será que é isso que todos os cientistas fazem ao elaborar suas teorias?

Críticas ao método indutivo

Mas o método indutivo tem seus críticos. Um grande problema é o fato de que toda generalização vai além das observações nas quais se baseia. Por exemplo, Galileu observou relativamente poucas bolas de metal caindo de distâncias relativamente curtas antes de concluir que cada objeto sempre cai na Terra em uma velocidade constantemente acelerada.

Porque uma generalização sempre vai além da evidência observada, não podemos nunca dizer que uma determinada generalização foi provada. Esse é o chamado problema da indução apresentado por Hume.

Mas mesmo que o indutivista possa lidar com esse problema, há uma razão mais séria para mostrar que o indutivismo  não é uma teoria adequada da relação entre conhecimento científico e observações sensoriais.

O problema é que quase nenhuma das grandes teorias científicas são meras generalizações de alguns fatos. Por exemplo, a teoria da evolução de Darwin por seleção natural afirma que as espécies evoluem ao longo do tempo como resultado de mudanças genéticas e competição pela sobrevivência e reprodução. Darwin não estabeleceu sua teoria observando algumas espécies evoluindo dessa forma e depois generalizando a conclusão de que todas as espécies evoluem assim. De fato, Darwin nunca observou a evolução de nenhuma espécie porque a evolução das espécies leva muito tempo. Darwin estava fazendo algo mais do que generalizar a partir de algumas observações sensoriais.

De fato, embora leis científicas relativamente simples e de baixo nível sejam frequentemente estabelecidas por indução, as grandes, amplas e fundamentais teorias da ciência que explicam e relacionam amplas matrizes de fenômenos e fornecem as bases para programas de pesquisa ricos não são estabelecidas por indução.

Em resposta a esses problemas, surgiram outras ideias sobre o método científico. O falsificacionismo de Popper, os paradigmas de Kuhn e o anarquismo epistemológico de Feyerabend são alguns exemplos.