O livre arbítrio como resposta ao problema do mal | Filosofia na Escola

O livre arbítrio como resposta ao problema do mal

Deus fez o mundo e isso foi muito bom. Uma parte indispensável da bondade que ele escolheu foi a existência de seres racionais: seres autoconscientes capazes de amor e pensamento abstrato, e com o poder de livre escolha entre cursos de ação alternativos contemplados. Essa última característica dos seres racionais, a livre escolha ou livre-arbítrio, é um bem.

Mas mesmo um ser onipresente é incapaz de controlar o exercício do poder de livre escolha, já que uma escolha que fosse controlada não seria ipso facto livre. Em outras palavras, se eu tenho uma livre escolha entre x e y, nem mesmo Deus pode garantir que vou escolher x.

Pedir a Deus que me dê livre escolha entre x e y e que garanta que eu escolha x em vez de y é pedir que Deus realize o intrinsecamente impossível: é como pedir a ele que crie um quadrado redondo, um ser material sem forma ou um objeto invisível que projete uma sombra.

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Livre arbítrio

“Ei, não olhe pra mim – eu fui contra o livre-arbítrio!”, diz o anjo.

Tendo esse poder de livre escolha, alguns ou todos os seres humanos o usaram mal e produziram uma certa quantidade de mal. Mas o livre-arbítrio é um bem suficientemente grande para que sua existência sobrepuje os males que têm resultado e que resultarão do seu abuso: e Deus previu isso.

Van Inwagen, Peter. The Problem of Evil. Oxford: Clarendon Press, 2006.

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