O problema do mal

O problema do mal (também conhecido como teodiceia) e uma das críticas mais antigas à existência de Deus como ser onipotente (que tudo pode) e benevolente (que é bom). Em linhas gerais, o argumento procura mostrar que a existência do mal no mundo não é compatível com a ideia de um Deus benevolente e onipotente.

O problema do mal

“Você não pensa em mudar seus planos?”, pergunta o anjo pra deus.

Algumas pessoas poderiam argumentar nesse sentido, que a existência de um tsunami, por exemplo, mostra que deus não existe ou ele não é bondoso ou onipotente.

Epicuro (341-270 a. C.) foi o primeiro a formular esse problema. De acordo com o filósofo grego, há quatro possibilidades:

  1. Ou Deus quer eliminar o mal do mundo, mas não pode;
  2. Ou pode mas não quer;
  3. Ou nem quer nem pode;
  4. Ou quer e pode.

Se deus quer, mas não pode, então ele não é onipotente. Ele é fraco, não pode fazer tudo e, portanto, não é um deus.

Se pode mas não quer, então ele é malvado. E novamente, isso não é algo que se esperaria de um deus.

Se ele nem quer e nem pode, é fraco e malvado. Novamente, não pode ser considerado um deus.

Por fim, se quer ou pode, podemos chama-lo de Deus. Ele é onipotente porque pode eliminar o mal e é benevolente porque quer eliminar o mal. Porém, sendo essa última possibilidade verdadeira, por que existe o mal no mundo? Por que ele ainda não eliminou o mal? Ou, sendo o criador de todas as coisas, por que permitiu que o mal existisse?

Assim, a única explicação, dada a existência do mal no mundo, é que deus não é benevolente e/ou onipotente. E, portanto, não existe como geralmente é pensado.

Referência

Bruce, Michael; Barbone, Steven (Orgs). Os cem argumentos mais importantes da Filosofia Ocidental: uma introdução concisa sobre lógica, ética, metafísica, filosofia da religião, ciência, linguagem, epistemologia e muito mais. São Paulo: Cultrix, 2013.

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