Defesa do determinismo

Argumento principal em defesa do determinismo

Na defesa do determinismo, um dos principais argumentos utilizados é o seguinte:

Premissa 1: Todo evento, sem exceção, é causalmente determinado por eventos anteriores.

Premissa 2: Pensamentos humanos, escolhas e ações são eventos.

Conclusão: Portanto, pensamentos, escolhas e ações humanas são, sem exceção, causalmente determinado por eventos anteriores.

A premissa 1 é a afirmação da tese da causação universal. A única maneira de evitar o determinismo é rejeitar a tese da causação universal. Mas é plausível rejeitar essa tese? Todos nós acreditamos que as mudanças no clima, no comportamento de nosso carro, a interação de produtos químicos e todos os outros tipos de eventos no mundo físico são o resultado necessário de causas anteriores. No entanto, os libertistas gostam de pensar que o comportamento humano é uma exceção ao resto da natureza, porque eles acreditam que chegamos livremente a nossas escolhas e não determinados por eventos anteriores.

O determinista responderia que os defensores do livre arbítrio estão sendo inconsistentes. Por que devemos pensar que o que fazemos é de alguma forma imune ao tipo de necessidade causal que opera no resto do mundo?

Ciência e determinismo

Outro argumento importante em favor do determinismo, apresentado por Skinner, por exemplo, é o de que o estudo científico do comportamento humano pressupõe que o determinismo é verdadeiro.

Ao longo da história, a ciência progrediu substituindo explicações de eventos com base em atos voluntários e espontâneos de livre arbítrio por explicações em termos de leis deterministas.

Por exemplo, os antigos gregos acreditavam que uma pedra caia no chão porque desejava se reunir com sua mãe terra. Outros eventos naturais, como eclipses solares, pragas, colheitas abundantes, ou trovoadas eram atribuídas à vontade arbitrária dos deuses. Nossa capacidade de entender o mundo deu um grande salto quando as pessoas passaram a perceber que as causas desses eventos não tinham nada a ver com pedras ou deuses desejando ou querendo qualquer coisa. Em vez disso, passamos a ver esses eventos como resultado de leis da natureza deterministas.

Aplicando esse pensamento ao comportamento humano, o determinista diria que passaremos a compreender melhor o comportamento humano na medida em que passarmos a pressupor que este também é determinado por uma série causas psicológicas, genéticas, econômicas, sociais etc.

Como o psicólogo B. F. Skinner disse, “para uma análise científica do comportamento, devo assumir que o comportamento de uma pessoa é controlado por sua genética e história, e não pela própria pessoa como agente iniciador e criativo”.

Respostas a críticas ao determinismo

Várias objeções são tipicamente levantadas contra o determinismo. Eu vou examinar três e apresentar a resposta do determinista. Em cada caso, considere se você acha que o determinista dá uma resposta adequada.

1. Quando faço uma escolha, tenho a sensação inegável de que a escolha é livre. Nós resistimos à noção de que existem causas do nosso comportamento. Nós gostamos de pensar em nós mesmos como livres. De fato, normalmente temos a sensação de que estamos agindo livremente. Mas sentir que somos livres e ser livre de fato são dois assuntos diferentes. O determinista diria que sentimos que somos livres porque somos ignorantes de todas as forças externas e internas (físicas e psicológicas) agindo em nós.

2. O fato de que às vezes eu tenho que deliberar para tomar uma decisão comprova que eu não sou determinado. Outra razão pela qual nos sentimos livres é que frequentemente temos que deliberar longamente quando temos dificuldade em decidir. Em tais situações, sentimos que a decisão já não está “programada” dentro de nós, mas que o resultado é inteiramente nós decidimos livremente. Se o nosso comportamento é determinado, por que às vezes é tão difícil fazer uma decisão?

Nesta situação, de acordo com o determinista, estamos presos entre duas causas conflitantes, cada uma nos puxando em uma direção diferente. Por exemplo, queremos ganhar dinheiro para o verão, mas também queremos viajar com amigos. Cada escolha tem aspectos positivos e negativos (mais dinheiro significa menos diversão, mais diversão em viajar significa menos dinheiro).

Nossa dificuldade em decidir é um sinal de que os determinantes causais que agem sobre nós são quase iguais. Se tomamos uma decisão, é porque o desejo marginalmente mais forte venceu o mais fraco. O fato de termos esses desejos conflitantes é, em si, o resultado de nossa história causal.

3. É impossível prever o comportamento de outra pessoa. Ao concordar que o comportamento uma pessoa pode não ser perfeitamente previsível na prática, o determinista diria que o comportamento humano é previsível em princípio. Nós nunca podemos ser 100 por cento precisos em prever o comportamento de um indivíduo porque a composição psicológica de um ser humano é tão complexa que não podemos conhecer o estado psicológico total de alguém em detalhes. Para usar uma analogia, não podemos prever o tempo perfeitamente. No entanto, sabemos o suficiente sobre suas causas para fazer alguns julgamentos de probabilidade razoavelmente bons. A razão pela qual nossas previsões não são perfeitas é que as variáveis ​​que afetam o comportamento do clima são muito complexas e numerosas para fazer predição precisa possível.

Mesmo que o comportamento do tempo não seja previsível em detalhes, não supomos que essa imprevisibilidade é porque as forças da natureza têm livre arbítrio para fazer o que quiserem. Reconhecemos que o comportamento do tempo se adapta perfeitamente às forças da necessidade causal que se tivéssemos perfeito conhecimento de todas as variáveis, poderíamos prever cada detalhe do tempo deste fim de semana. Da mesma forma, segundo o determinismo, se soubéssemos todas as causas operacionais em você em um determinado momento, então seu comportamento seria tão previsível quanto o movimento de uma bola de bilhar. No entanto, sabemos o suficiente sobre psicologia humana para saber em geral como as pessoas se comportarão. Afinal, não é verdade que quanto mais você conhece uma pessoa, mas você pode antecipar como ele ou ela reagirá a uma situação particular?

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