O que não é um argumento?

Sugerimos que antes de prosseguir leia o que é um argumento de um ponto de vista lógico. Uma vez que você entenda isso, é hora de dar uma olhada em algumas coisas que não são argumentos, porque é muito fácil confundir. Identificar premissas e conclusões em um argumento geralmente não é tão difícil. Mas os argumentos em si nem sempre são muito fáceis de identificar. Muitas vezes as pessoas apresentam coisas, numa discussão,  que afirmam ser argumentos, mas não são.

Muitas vezes você ouvirá algo assim:

  • Deus existe e a Bíblia é verdadeira!
  • Fernando Henrique foi o melhor presidente que já tivemos!
  • O aquecimento global é um grande perigo para a vida e a civilização.

Nenhuma dessas afirmações são argumentos.  Ao contrário, não passam de afirmações. Eles poderiam ser transformados em argumentos se o orador oferecesse provas em apoio às suas alegações, mas até lá não temos muito o que fazer. Um sinal de que você tem uma afirmação apenas, e não um argumento, é o uso dos pontos de exclamação. Se você ver muitos pontos de exclamação, provavelmente é uma afirmação muito fraca.

Comandos, Avisos e Sugestões

Um tipo de pseudo-argumento tomado geralmente por argumento pode ser encontrado nos seguintes exemplos:

  • Você deve cumprir seu dever para com Deus, seu Criador.
  • Precisamos impedir que o governo interfira na propriedade privada das pessoas.
  • As pessoas devem se certificar de que as corporações internacionais não tenham muito poder.

Nenhum desses argumentos são argumentos – na verdade, nem sequer são proposições. Uma proposição é algo que pode ser verdadeiro ou falso, e um argumento é algo oferecido para estabelecer o valor de verdade da proposição. Mas as declarações acima não têm essa característica. Eles são comandos, e não podem ser verdadeiros ou falsos – eles só podem ser sábios ou imprudentes, justificados ou injustificados.

Semelhante aos comandos são avisos e sugestões, que também não são argumentos:

  • Você deve ter aulas de língua estrangeira enquanto estiver na faculdade.

Crenças e opiniões

Afirmações de crença e opinião também são frequentemente apresentadas como se fossem um argumento. Por exemplo:

  • acho que o aborto é um procedimento horrendo. Mata violentamente uma vida humana jovem e inocente e a extensão dos abortos neste país constitui um novo holocausto.

Não há argumento aqui – o que temos são afirmações emotivas em vez de enunciados cognitivos. Nenhum esforço é feito para estabelecer a verdade do que é dito, no máximo se procura provocar certas emoções no leitor ou ouvinte. Eles são expressões de sentimentos pessoais. Não há nada de errado com afirmações emotivas, é claro – o ponto é que devemos entender quando estamos olhando para declarações emotivas e que elas não são argumentos genuínos.

Naturalmente, será comum encontrar argumentos que tenham declarações emotivas e cognitivas. Frequentemente, as declarações acima podem ser combinadas com outras declarações que constituem um argumento real, explicando por que o aborto é errado ou por que deveria ser ilegal. É importante reconhecer isso e aprender como desvincular as afirmações emocionais e cognitivas na estrutura lógica de um argumento.

É fácil se distrair com a linguagem e não perceber o que está acontecendo, mas com a prática, você pode evitar isso. Isto é especialmente importante não apenas quando se trata de religião e política, mas especialmente em publicidade. Toda a indústria de marketing se dedica a usar linguagem e símbolos com o propósito de criar respostas emocionais e psicológicas em você, o cliente. Eles preferem que você gaste seu dinheiro logo do que pense muito sobre o produto, e eles projetam a publicidade com base nessa premissa.