O filósofo reconhece-se pela posse inseparável do gosto da evidência e do sentido da ambiguidade. Quando se limita a suportar a ambiguidade, esta se chama equívoco. Sempre aconteceu que, mesmo aqueles que pretenderam construir uma filosofia absolutamente positiva, só conseguiram ser filósofos na medida em que, simultaneamente, se recusaram o direito de se instalar no saber absoluto. O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva incessantemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso neste movimento. MERLEAU-PONTY, M. Elogio da filosofia. Lisboa: Guimarães, 1998 (adaptado).
O texto apresenta um entendimento acerca dos elementos constitutivos da atividade do filósofo, que se caracteriza por
reunir os antagonismos das opiniões ao método dialético.
conciliar o rigor da investigação à inquietude do questionamento.
associar a certeza do intelecto à imutabilidade da verdade.
ajustar a clareza do conhecimento ao inatismo das ideias.
compatibilizar as estruturas do pensamento aos princípios fundamentais.
TEXTO I
Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e invenção. HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1983. TEXTO II
Não vamos concluir, com Hobbes que, por não ter nenhuma ideia de bondade, o homem seja naturalmente mau. Esse autor deveria dizer que, sendo o estado de natureza aquele em que o cuidado de nossa conservação é menos prejudicial à dos outros, esse estado era, por conseguinte, o mais próprio à paz e o mais conveniente ao gênero humano. ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e o fundamento da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (adaptado).
Os trechos apresentam divergências conceituais entre autores que sustentam um entendimento segundo o qual a igualdade entre os homens se dá em razão de uma
vocação política.
condição original.
tradição epistemológica.
predisposição ao conhecimento.
submissão ao transcendente.
O século XVIII é, por diversas razões, um século diferenciado. Razão e experimentação se aliavam no que se acreditava ser o verdadeiro caminho para o estabelecimento do conhecimento científico, por tanto tempo almejado. O fato, a análise e a indução passavam a ser parceiros fundamentais da razão. É ainda no século XVIII que o homem começa a tomar consciência de sua situação na história. ODALIA, N. In: PINSKY, J.; PINSKY, C. B. História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2003.
No ambiente cultural do Antigo Regime, a discussão filosófica mencionada no texto tinha como uma de suas características a
separação entre teologia e fundamentalismo religioso.
aproximação entre inovação e saberes antigos.
vinculação entre escolástica e práticas de pesquisa.
contraposição entre clericalismo e liberdade de pensamento.
conciliação entre revelação e metafísica platônica.
A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda realização humana, uma evidente degradação do ser para o ter. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo ter efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela. DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015.
Uma manifestação contemporânea do fenômeno descrito no texto é o(a)
aprofundamento da vivência espiritual.
reconhecimento na esfera artística.
fortalecimento das relações interpessoais.
exposição nos meios de comunicação.
valorização dos conhecimentos acumulados.
A quem não basta pouco, nada basta. EPICURO. os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1985.
Remanescente do período helenístico, a máxima apresentada valoriza a seguinte virtude:
esperança, tida como confiança no porvir.
temperança, marcada pelo domínio da vontade.
coragem, definida como fortitude na dificuldade.
justiça, interpretada como retidão de caráter
prudência, caracterizada pelo correto uso da razão.
Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente. Tomás de Aquino. Suma Teológica. Rio de Janeiro: Loyola, 2002.
O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por
reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos.
explicar as virtudes teológicas pela demonstração.
sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.
flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.
justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.
Não é verdade que estão ainda cheios de velhice espiritual aqueles que nos dizem: “Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? Se estava ocioso e na realizava”, dizem eles, “por que não ficou sempre assim no decurso dos séculos, abstendo-se, como antes, de toda ação? Se existiu em Deus um novo movimento, uma vontade nova para dar o ser a criaturas que nunca antes criar, como pode haver verdadeira eternidade, se n’Ele aparece uma vontade que antes não existia?” AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Abril Cuitural, 1984.
A questão da eternidade, tal como abordada pelo autor, é um exemplo de reflexão filosófica sobre a(s)
certezas inabaláveis da experiência.
essência da ética cristã.
abrangência da compreensão humana.
interpretação da realidade circundante.
natureza universal da criação.
No início da década de 1990, dois biólogos importantes, Redford e Robinson, produziram um modelo largamento aceito de “produção sustentável” que previa quantos indivíduos de cada espécie poderiam ser caçados de forma sustentável baseado nas suas taxas de reprodução. Os seringueiros do Alto do Juruá tinham um modelo diferente: a quem lhes afirmava que estavam caçando acima dos sustentável (dentro do modelo), eles diziam que não, que o nível de caça dependia da existência de áreas de refúgio em que ninguém caçava. Ora, esse acabou sendo o modelo batizado de “fonte-ralo” proposto dez anos após o primeiro por Novaro, Bodmer, e o próprio Redford e que suplantou o modelo anterior. CUNHA, M. C. Revista USP, n. 75, set~nov. 2007.
No contexto da produção científica, a necessidade de reconstrução desse modelo, conforme exposto no texto, foi determinada pelo confronto com um(a):
conclusão operacional obtida por lógica dedutiva.
conhecimento empírico apropriado pelo senso comum.
hábito social condicionado pela religiosidade popular.
visão de mundo marcada por preconceitos morais.
padrão de preservação construído por experimentação dirigida.
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