Filosofia na Escola

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Introdução ao debate sobre a bondade ou maldade da natureza humana

Imagine a cena: um avião faz um pouso de emergência, algumas partes se soltam, a cabine se enche de fumaça e há grande risco de incêndio. Todos percebem que precisam deixar o avião imediatamente. O que acontece?

- No planeta A, os passageiros se voltam para os que estão ao lado e perguntam se estão bem. Os que precisam de assistência recebem ajuda para sair primeiro do avião. As pessoas estão dispostas a sacrificar a própria vida, mesmo por estranhos que nunca viram antes.

- No planeta B, cada um cuida de si mesmo. Instala-se o pânico. Todos se empurram e se atropelam. Crianças, idosos e pessoas com deficiência são pisoteadas. 1

Em que planeta nós vivemos?

Esse problema é apresentado por Tom Postmes, professor de Psicologia Social da Universidade de Groningen, na Holanda, e serve como ponto de partida para uma questão filosófica muito mais ampla: quem somos nós? Qual é, afinal, a nossa natureza? Quando imaginamos uma situação extrema, em que o medo se impõe e as regras cotidianas parecem perder força, tendemos a pensar que os instintos assumirão o controle e a parte mais animal de nós mesmos virá à tona. Mas o que veríamos nesse caso? Uma fera atacando seus semelhantes ou um ser compassivo oferecendo ajuda?

Ao longo da história da filosofia, esse problema recebeu respostas muito diferentes. Em uma direção, encontramos a tese de que, sem leis e sem um poder comum que imponha limites, os seres humanos tenderiam à rivalidade, à desconfiança e ao conflito. Em outra, aparece a defesa de que o homem não nasce mau e de que são as formas históricas da vida social que produzem boa parte da corrupção, da desigualdade e da violência que vemos no mundo. Ou seja, alguns filósofos responderam ao problema de Postmes dizendo que vivemos no planeta A, enquanto outros disseram que vivemos no planeta B.

Ao longo das próximas páginas, vamos explorar as ideias de Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau e Rutger Bregman, autores que trouxeram contribuições significativas para esse debate. Mais importante do que decidir rapidamente se vivemos no planeta A ou no planeta B é compreender os argumentos que cada um apresenta para sustentar sua visão. É esse o percurso que esta trilha propõe: investigar diferentes respostas para uma mesma pergunta fundamental e, assim, entender melhor quem somos.

Referências

Bregman, Rutger. Humanidade: uma história de esperança. São Paulo: Planeta, 2021.