Questões de filosofia ENEM 2012

Questões de filosofia ENEM 2012

Questão 1 (ENEM 2012)

TEXTO I

Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez.

DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

TEXTO II

Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita.

HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).

Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume
atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento.
Resposta certa!
defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.

Questão 2 (ENEM 2012)

Nossa cultura lipofóbica muito contribui para a distorção da imagem corporal, gerando gordos que se veem magros e magros que se veem gordos, numa quase unanimidade de que todos se sentem ou se veem “distorcidos”. Engordamos quando somos gulosos. É pecado da gula que controla a relação do homem com a balança. Todo obeso declarou, um dia, guerra à balança. Para emagrecer é preciso fazer as pazes com a dita cuja, visando adequar-se às necessidades para as quais ela aponta.

FREIRE, D. S. Obesidade não pode ser pré-requisito. Disponível em: http//gnt.globo.com. Acesso em: 3 abr. 2012 (adaptado).

O texto apresenta um discurso de disciplinarização dos corpos, que tem como consequência
a culpabilização individual, associando obesidade à fraqueza de caráter.
Resposta certa!
a ampliação dos tratamentos médicos alternativos, reduzindo os gastos com remédios.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
a democratização do padrão de beleza, tornando-o acessível pelo esforço individual.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
o controle do consumo, impulsionando uma crise econômica na indústria de alimentos.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
o aumento da longevidade, resultando no crescimento populacional.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.

Questão 3 (ENEM 2012)

Na regulação de matérias culturalmente delicadas, como, por exemplo, a linguagem oficial, os currículos da educação pública, o status das Igrejas e das comunidades religiosas, as normas do direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em assuntos menos chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios semelhantes ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das esferas pública e privada — em tudo isso reflete-se amiúde apenas o autoentendimento ético-político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos. Por causa de tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma comunidade republicana que garanta formalmente a igualdade de direitos para todos, pode eclodir um conflito cultural movido pelas minorias desprezadas contra a cultura da maioria.

HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo: Loyola, 2002.

A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, encontra amparo nas democracias contemporâneas, na medida em que se alcança
a coexistência das diferenças, considerando a possibilidade de os discursos de autoentendimento se submeterem ao debate público, cientes de que estarão vinculados à coerção do melhor argumento.
Resposta certa!
a secessão, pela qual a minoria discriminada obteria a igualdade de direitos na condição da sua concentração espacial, num tipo de independência nacional.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
a reunificação da sociedade que se encontra fragmentada em grupos de diferentes comunidades étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em torno da coesão de uma cultura política nacional.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
a autonomia dos indivíduos que, ao chegarem à vida adulta, tenham condições de se libertar das tradições de suas origens em nome da harmonia da política nacional.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
o desaparecimento de quaisquer limitações, tais como linguagem política ou distintas convenções de comportamento, para compor a arena política a ser compartilhada.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.

Questão 4 (ENEM 2012)

Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado menores durante toda a vida.

KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado).

Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão do contexto filosófico da Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por Kant, representa
a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade.
Resposta certa!
o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.

Questão 5 (ENEM 2012)

Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.

MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).

Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao
afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana.
Resposta certa!
valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.

Questão 6 (ENEM 2012)

É verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste nisso. Deve-se ter sempre presente em mente o que é independência e o que é liberdade. A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem; se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder.

MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997 (adaptado).

A característica de democracia ressaltada por Montesquieu diz respeito
ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à conformidade às leis.
Resposta certa!
ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao tomar as decisões por si mesmo.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
à possibilidade de o cidadão participar no poder e, nesse caso, livre da submissão às leis.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde que ciente das consequências.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo com seus valores pessoais.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.

Questão 7 (ENEM 2012)

Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua mente.

ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado).

O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?
Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.
Resposta certa!
Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.

Questão 8 (ENEM 2012)

TEXTO I

Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transformase em pedras.

BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).

TEXTO II

Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão a impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha.”

GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).

Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação teorias que
postulavam um princípio originário para o mundo.
Resposta certa!
eram baseadas nas ciências da natureza.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
refutavam as teorias de filósofos da religião.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
tinham origem nos mitos das civilizações antigas.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas.
Ops, não é essa a resposta. Tente outra opção.
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