Método hipotético-dedutivo | Filosofia na Escola

Método hipotético-dedutivo

O método hipotético-dedutivo afirma que grandes avanços científicos ocorrem quando cientistas fazem uma suposição ou hipótese criativa sobre o que causa ou explica um fenômeno particular e então testam essa hipótese através de observação e experimentação.

Um dos primeiros proponentes do método hipotético-dedutivo como método científico foi William Whewell (1794-1866). Ele defendeu que os avanços no conhecimento científico não dependem apenas da coleção exaustiva de fatos seguida de generalização. Em vez disso, Whewell argumentou, os grandes avanços científicos ocorrem quando cientistas fazem uma suposição ou hipótese criativa sobre o que causa ou explica um fenômeno particular e então testam essa hipótese por observação sensorial e experimentação.

A teoria da evolução de Darwin é um bom exemplo do que Whewell provavelmente tinha em mente. A teoria de darwinista começou como uma hipótese destinada a explicar um grande número de observações:

  1. a descoberta de que fósseis enterrados em antigas camadas de rocha eram diferentes, mas aparentemente relacionados a espécies sobreviventes;
  2. a observação de que espécies vivas ocorriam em grupos que pareciam relacionados uns aos outros, embora não tivessem ancestrais comuns;
  3. a descoberta de que algumas espécies de borboletas haviam gradualmente mudado de cor ao longo do tempo de forma a torná-las mais propensas a escapar de serem comidas por pássaros;
  4. a descoberta de que certas espécies haviam se extinguido aparentemente como resultado da competição com outras espécies.

Todas essas observações poderiam ser explicadas, segundo ele, pela hipótese de que as espécies mudam ao longo do tempo por um processo de seleção natural, no qual as espécies mais adaptadas ao seu ambiente sobrevivem e se reproduzem.

Assim, a teoria da evolução não foi uma generalização a partir de observações, mas uma ideia criativa usada para explicar um grande número de fatos. Darwin mostrou que todas as variedades de animais e plantas antes desconexas, tanto fossilizadas quanto vivas, poderiam ser colocadas em uma sequência que mostrasse a evolução ao longo de imensos períodos de tempo geológico, e sua teoria explicava por que essa evolução ocorrera.

No coração do método científico, então, há um elemento, uma contribuição, feita pela razão. Ela parece ser a fonte das hipóteses que os cientistas inventam e usam para guiar suas pesquisas.

Ao formular uma hipótese, o cientista se afasta dos sentidos para a razão e tenta criar novas relações, novas estruturas e novas conexões e organizá-las em uma teoria que ordene, sistematize e explique suas observações sensoriais.

Então, o cientista retorna às observações sensoriais perguntando se a teoria prevê com precisão novas observações, se sugere novas pesquisas e novos experimentos, ou se aponta o caminho para outras observações que confirmam a teoria. Assim, de uma maneira importante, a razão está no cerne do método hipotético.

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Referências e leitura adicional

Para conhecer mais sobre ciência e métodos científicos, veja nossa série de artigos sobre filosofia da ciência. Para uma leitura mais aprofundada e introdutória sobre o tema, sugerimos o livro de Chalmers abaixo.

Chalmers, Alan. O que é a ciência afinal? São Paulo: Editora Brasiliense, 1993.

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