Uma hipótese viva é aquela que faz conexão real com quem a considera. Morta é aquela que não se apresenta nem como possibilidade real. Viva ou morta não é uma propriedade da hipótese, mas uma relação entre a hipótese e quem a considera.
Opções podem ser vivas ou mortas, forçosas ou evitáveis, momentosas ou triviais. Uma opção genuína é aquela em que não há como escapar da decisão e o que está em jogo é significativo.
As hipóteses científicas geralmente apresentam opções evitáveis e triviais. Há tempo para esperar, e os erros podem ser corrigidos. Nesse caso, Clifford tem razão. Por isso o mais adequado é suspender o juízo.
O que é bom ou mau não pode ser decidido pelo intelecto puro. A crença moral surge de uma escolha, de uma vontade, não de uma evidência. Por isso não é razoável afirmar que devemos ter evidências antes de acreditar.
Há situações em que a evidência só pode existir depois da crença. Na amizade, no romance, na cooperação coletiva, sem a crença prévia, o fato que a confirmaria nunca acontece.
Para quem a hipótese religiosa é viva, não há como ficar em cima do muro. Cada dia vivido como se a hipótese fosse falsa já é uma escolha, com consequências reais.
O cético não está numa posição neutra. Está apostando tanto quanto o crente. O que os separa não é a racionalidade, é o sentimento que os move. O crente é movido pela esperança. O cético, pelo medo de errar.
Se o universo tem forma pessoal, a relação com ele funciona como qualquer relação entre pessoas. A evidência pode depender de irmos ao encontro da hipótese e quem espera pela prova antes de se aproximar pode estar tornando impossível exatamente o que espera encontrar.
Resumo das ideias de William James sobre o direito de acreditar sem evidências
William Godoy