Pitágoras | Filosofia na Escola

Pitágoras

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Pitágoras é um filósofo pré-socrático que nasceu na ilha de Samos, onde hoje fica a Turquia, em 570 a. C., mas passou boa parte de sua vida em Crotona, na Itália, onde desenvolveu sua filosofia e criou um grupo de seguidores chamados pitagóricos. Morreu no início do século V a. C.

Sua vida está completamente envolta em mistérios. A escola fundada por Pitágoras era uma espécie de ordem religiosa e sociedade secreta e o filósofo era cultuado quase como um semideus entre os discípulos.

Não restaram escritos de Pitágoras. Aliás, provavelmente não escreveu nenhum livro. A filosofia de Pitágoras era uma espécie de sabedoria que somente os iniciados deveriam ter acesso. Ninguém que fazia parte da escola deveria falar sobre a doutrina para os que não faziam parte. E essa exigência parece ter sido observada durante um longo tempo.

O primeiro pitagórico a romper o silêncio e publicar um livro foi Filolau, já nos tempos de Sócrates, porque se viu em dificuldades financeiras e queria resolver o problema vendendo livros.

Assim, já desde Aristóteles se fala não da filosofia de Pitágoras, mas dos pitagóricos, já que é impossível diferenciar entre o pensamento do mestre e dos inúmeros discípulos que se vieram depois.

Pitágoras (e os pitagóricos) é conhecido por ter criado a palavra Filosofia, o teorema de Pitágoras, a doutrina segundo a qual tudo é número e de que nossa alma renasce em corpos diferentes depois da morte: em plantas, animais e outras pessoas.

Ideias de Pitágoras

Philosophia

A palavra “filosofia” é formada por duas palavras gregas “philo” + “sophia” que significa, literalmente, amor ou amizade à sabedoria. O filósofo segundo essa definição não é o sábio, que já conhece a verdade, mas aquele que está a sua procura.

Segundo uma versão, Pitágoras foi o responsável por criar e usar a palavra “filosofia” nesse sentido. Porém, há dúvidas sobre a verdade dessa história. A concepção do filósofo não como um sábio, mas como um amante do saber, é bastante platônica.

Tudo é número

Pitágoras se dedicou ao estudo da matemática, tanto que é considerado o descobridor do teorema de Pitágoras e outras relações matemáticas.

Essa admiração pela matemática levou o filósofo a afirmar que o princípio de todas as coisas são os números.

O que o levou a essa conclusão provavelmente foi uma série de observações. Em primeiro lugar, os pitagóricos usavam bastante a música como meio de purificação e catarse. E a música pode ser traduzida em determinações numéricas. Os sons diferentes das cordas de um instrumento é determinado por fatores quantitativos, como espessura, comprimento etc. Eles também descobriram as relações harmônicas de oitava, quinta e quarta e suas leis numéricas.

Além disso, existem números por toda a natureza: as estações do ano são quatro, dos dias têm vinte quatro horas, os seres humanos levam nove meses para nascer etc.

Observando isso tudo, Pitágoras conclui que os números são a origem de todas as coisas. Contudo, é importante entender que os números têm um sentido diferente hoje. Pensamos neles como abstrações mentais que existem na cabeça das pessoas como instrumentos de cálculo apenas. Para o filósofo, eles eram reais, e na verdade até mais reais que uma pedra ou árvore, por exemplo, já que era a partir deles que toda a natureza era formada.

Reencarnação

Os pitagóricos acreditavam  em reencarnação. De acordo com sua teoria, a alma possui uma culpa inicial que deve expiar através de sucessivas reencarnações, não só em corpos de seres humanos, mas em animais também. Pitágoras dizia ouvir no uivo de um cachorro a voz de uma amigo morto e pensava ser capaz de se lembrar de suas vidas passadas.

Assim, o objetivo de uma vida pitagórica é purificar a alma e libertá-la do corpo, para que não precise mais reencarnar. É esse o sentido da filosofia para os pitagóricos: se dedicar ao conhecimento, à pesquisa, à ciência é a forma de purificar a alma de seus pecados.

Ao final desse processo, a alma seria capaz de voltar a viver entre os deuses, o que deveria ser o objetivo final da existência humana.

Referências consultadas

Giovanni Reale. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulus Editora, 1990, pp. 38-47.

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