Como a teoria da seleção natural explica a moralidade

16 de janeiro de 2023 - 4 min leitura

O que é a teoria da seleção natural?

A seleção natural é uma teoria científica que explica como as espécies evoluem ao longo do tempo. Ela diz que as espécies que possuem características adaptativas – aquelas que ajudam a sobreviver e se reproduzir – são mais propensas a passar essas características para as gerações futuras. Ao longo do tempo, essas características adaptativas se tornam cada vez mais comuns na população.

A teoria da seleção natural foi proposta por Charles Darwin e pelo biólogo britânico Alfred Russel Wallace no século XIX. Em 1859, Darwin publicou sua obra mais famosa, “A Origem das Espécies”, onde apresentou a teoria da seleção natural como a explicação para a evolução das espécies. Na verdade, Wallace também desenvolveu a teoria da seleção natural independentemente, e em 1858, enviou um ensaio sobre o assunto para Darwin. Os dois cientistas apresentaram suas teorias juntos em uma conferência em 1858.

Um exemplo simples para ilustrar essa teoria é o seguinte. Imagine que em um determinado lago há duas espécies de tartarugas: uma com cascas grossas e outra com cascas finas. Em um ambiente onde há muitos predadores, as tartarugas com cascas grossas têm mais chances de sobrevivência, pois sua casca as protege melhor. Como resultado, essas tartarugas são mais propensas a se reproduzir e passar essa característica de cascas grossas para as gerações futuras. Ao longo do tempo, a população de tartarugas com cascas grossas se torna cada vez maior, enquanto a de tartarugas com cascas finas se torna cada vez menor. Essa é a seleção natural em ação, levando a evolução das espécies.

Como a teoria da seleção natural explica a moralidade?

A teoria da evolução sugere que o comportamento moral, coisas como ser solidário, cooperar, condenar a injustiça, ter empatia, existe porque de alguma forma isso ajuda a população que tem essa características a sobreviver, se reproduzir e passar esses traços para as próximas gerações.

Um exemplo de como o comportamento cooperativo, por exemplo, pode ter surgido a partir da seleção natural é o caso das caçadas em grupo entre os primatas. Imagine que há um grupo de primatas que se alimentam principalmente de frutas e insetos. Esses primatas precisam se deslocar para encontrar alimento, mas o ambiente é perigoso e há muitos predadores.

Os primatas que cooperam uns com os outros têm mais chances de sobrevivência, pois um indivíduo pode ficar de vigia enquanto outro busca comida, ou um grupo pode se mover em conjunto para se proteger de predadores. Como resultado, os primatas que cooperam têm mais chances de se alimentar e sobreviver, e são mais propensos a se reproduzir e passar essa característica de comportamento cooperativo para as gerações futuras. Ao longo do tempo, a cooperação se torna cada vez mais comum na população de primatas.

Este é um exemplo hipotético para ilustrar como o comportamento cooperativo pode ter se originado da seleção natural.

Em relação a outros comportamentos morais, também é possível levantar hipóteses sobre como podem ter contribuído para a sobrevivência e evolução:

  • Solidariedade: os indivíduos que ajudam os outros da sua própria espécie têm mais chances de sobreviver e se reproduzir, pois podem contar com a ajuda alheia em momentos de necessidade.
  • Empatia: os indivíduos que são capazes de sentir e compreender as emoções dos outros têm mais chances de ter boas relações e formar laços sociais estáveis, o que é benéfico para a sobrevivência e reprodução.
  • Punição de trapaceiros: os indivíduos que punem os trapaceiros ou aqueles que violam as normas sociais têm mais chances de manter a estabilidade da sociedade e de se beneficiar do comportamento cooperativo.

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