Argumento indutivo

Um argumento indutivo é aquele no qual se parte de experiências sobre fatos particulares e se infere daí conclusões gerais.  Quando dizemos que todos os homens que nascerem irão morrer porque até hoje ninguém deixou de morrer ou que todos os cachorros têm quatro patas porque até hoje ninguém viu um cachorro com oito patas estamos usando um argumento indutivo. Tais argumentos se baseiam na experiência passada para sustentar uma conclusão. 

Chalmers, define assim um argumento indutivo: 

“Se um grande número de As foi observado sob ampla variedade de condições, e se todos essas As observados possuíam sem exceção a propriedade B, então todos os As têm a propriedade B.” 

Tomemos como exemplo o ponto de ebulição da água. Sempre que observamos a água ferver (A), isso aconteceu a 100 graus centígrados (propriedade B). Portanto podemos concluir que a água (A), e qualquer água encontrada na terra ou outro planeta, ferve a 100 graus centígrados (propriedade B).  

Em termos formais, o argumento indutivo seria assim 

A água (A1) dessa chaleira ferveu a 100 graus centígrados (B) 

A2 tem B 

A3 tem B 

A4 tem B 

 

A13233200000 tem B 

Portanto todo A (água) tem B (ferve a 100 graus centígrados) 

 Podemos também dizer que argumentos indutivos são argumentos por amostras. No caso anterior, a partir de uma amostra de água tiramos uma conclusão sobre toda e qualquer água. Por essa razão muitos filósofos pensam que ele é usado na ciência.   

Embora seja muito utilizado e fundamental, do ponto de vista lógico num argumento indutivo a conclusão poderá se mostrar falsa mesmo que as premissas sejam verdadeiras. Isso porque as premissas não apresentam informação suficiente para justificar totalmente a conclusão, mesmo que as experiências nas quais se baseia a conclusão tenham sido muitas e variadas.  

Para ilustrar isso, lembremos da história do peru indutivista. Conta-se que em certo lugar havia um peru que dedicava seu tempo à elaboração de argumentos indutivos. Depois de um tempo sendo alimentado sempre às nove horas da manhã, o peru indutivista passou a observar e anotar de forma sistemática o horário em que era alimentado. Observou que este não variava, fizesse chuva ou sol, frio ou calor, fosse feriado, fim de semana, sempre era alimentado às nove horas da manhã. Depois de reunir essas informações de forma cuidadosa, sem precipitação, considerou que poderia concluir com segurança a seguinte afirmação “serei alimentado todos os dias às nove horas da manhã”. E foi com essa expectativa que no dia vinte quatro de dezembro, véspera de natal, o peru foi degolado para servir de alimento no dia seguinte. 

A conclusão à qual chegou o peru indutivista depois de muitas observações é legítima. Trata-se de um bom argumento indutivo. No entanto, como um argumento indutivo não garante a verdade da conclusão mesmo que as premissas sejam verdadeiras, esta acabou se mostrando falsa, e teve o peru um fim trágico. 

Referência 

Chalmers, Alan Francis. O que é a ciência afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

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