Falácias | Filosofia na Escola

Falácias

Falácias são argumentos inválidos, mas que aparentam ser válidos, por isso acabam convencendo muitas pessoas.
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Falácias são abundantes em qualquer situação em que o objetivo central é convencer outra pessoa de um ponto de vista, mesmo sem ter razão.

O que é uma falácia?

Um argumento, do ponto de vista lógico, é uma sequência de afirmações das quais uma é a conclusão (aquilo que se deseja provar) e as demais são as premissas (afirmações que são usadas para provar a conclusão). Falácias são argumentos inválidos, que apresentam algum tipo de erro de raciocínio.

Por exemplo, um argumento que parta da premissa “tive alguns professores de ciências humanas que eram socialistas” e conclua disso que “a maioria dos professores de ciências humanas é socialista” pode ser considerado uma falácia. Esse argumento é uma falácia, porque ele é um argumento fraco, já que a conclusão não se segue logicamente das premissas. Não é possível chegar à conclusão de que a maioria dos professores de ciências humanas são socialistas a partir de uma informação vaga como “tive alguns professores de ciências humanas que eram socialistas”. Trata-se de uma quantidade de informação muito limitada para uma conclusão geral como essa.

Porém, nem todos os argumentos inválidos são considerados falácias. Cabe entender, então, o que diferencia um argumento inválido falacioso de um argumento inválido que não seja falacioso.

Os primeiros estudos sistemáticos das falácias foram feitos por Aristóteles. O filósofo define falácia como um argumento que parece válido, parece forte, mas não é. Portanto, não é qualquer argumento que pode ser chamado de falácia, mas apenas aqueles que parecem ser válidos sem o ser realmente. A palavra chave dessa definição é “parece”. Nesse caso, uma falácia é definida pela sua capacidade de iludir a pessoa que está ouvindo ou lendo o argumento.

Ao longo da história da filosofia, a partir de Aristóteles, uma série de falácias foram sendo identificadas, analisadas e ganharam um nome. O exemplo apresentado no início desse texto é conhecido pelo nome de generalização apressada. Conhecer o nome e os padrões de argumentos falaciosos é útil para evitar cometer erros de raciocínio e ser enganado por esses erros.

Abaixo você encontra uma lista de tipos falácias mais comuns.

Falácias de Relevância

Falácias de relevância são aquelas cujas premissas são irrelevantes para provar a conclusão, pois não contribuem em nada para mostrar que a conclusão é verdadeira.

Um exemplo dessa falácia é o argumento de que “deus existe porque a maioria das pessoas acredita em um deus.” Embora seja verdade que a maioria das pessoas possui essa crença, esse fato não é uma razão para pensar que deus existe. Esse é um argumento falacioso porque o fato de a maioria das pessoas acreditar em algo não é uma razão para isso ser verdadeiro. Basta lembrarmos que crenças que já foram muito disseminadas, como a ideia de que a terra era plana e de que o sol orbitava ao redor da terra, se mostraram falsas.

A falácia acima é conhecida como apelo ao povo. Na lista abaixo há mais alguns exemplos de falácias de relevância.

Falácias ad hominem

Um argumento que possui um apelo muito forte, sobretudo na política, é o ad hominem. Eles ocorrem quando informações desfavoráveis sobre a pessoa são apresentadas para tirar a credibilidade daquilo que tem a dizer. O ad hominem é cometido quando ao invés de críticas a opinião de uma pessoa são apresentadas críticas à própria pessoa, sobre seu caráter ou intenções.

Imagine o seguinte diálogo entre pai e filho

Pai – Você não deveria estar fumando, você sabe muito bem o mal que o cigarro faz para a saúde.

Filho – Olha quem falando, você fuma dois maços de cigarro por dia.

O exemplo acima é um exemplo clássico de ad hominem. O filho, ao invés de mostrar que a afirmação do pai é falsa, de que cigarro não faz mal a saúde, partiu para o ataque pessoal questionando a coerência das ações de seu pai. Um ataque contra a pessoa e não contra o argumento da pessoa.

Porém, é importante notar que nem todo ataque ad hominem é falacioso. Em alguns casos, essa é uma forma legítima de argumentar.

Falácias indutivas

Falácias de indução fracas são aquelas em que as premissas são relevantes para justificar a conclusão, porém não são suficientes. As informações oferecidas pelas premissas são muito poucas para justificar a conclusão. Geralmente essas falácias envolvem generalizações exageradas a partir de um ou poucos fatos.

Um exemplo clássico desse tipo de falácia é a generalização apressada.

Considere o seguinte exemplo

Mariana está andando de bicicleta em sua cidade natal, Porto Alegre. Um caro chega por trás dela e o motorista começa a buzinar e tenta empurrá-la para fora da estrada. Quando passa por ela, o motorista grita “fica na calçada onde você pertence!” Mariana vê que o carro tem placas de Santa Maria e conclui que todos os motoristas dessa cidade são uns idiotas.

Talvez os motoristas de Santa Maria sejam de fato todos uns idiotas, o que é improvável. De qualquer forma, Mariana não pode chegar a uma conclusão sobre “todos” a partir de um caso apenas. Ao fazer isso, estará cometendo uma generalização apressada.

Falácias causais

A falácia post hoc (falsa causa) ocorre quando é observada uma correlação entre dois eventos e, a partir disso, se conclui de maneira precipitada que existe uma relação de causa e efeito entre esses eventos.

Exemplo:

Sempre que lavo o carro, começa a chover logo em seguida. Portanto, o fato de eu lavar o carro provoca a chuva.

Esse tipo de raciocínio, que a partir da observação de que um evento acontece após o outro conclui que existe uma relação de causa e efeito entre eles, é uma falácia porque essa correlação pode ser simplesmente uma coincidência.

Outras falácias causais

Falsa causa Ladeira escorregadia

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Lista de falácias