Apelo à ignorância

Descrição

Apelo à ignorância são argumentos  que usam como justificativa para uma conclusão o fato de ignorarmos a verdade ou falsidade da afirmação contrária. Por exemplo: alguém poderia argumentar que por ninguém ter provado que fantasmas existem, ou seja, pelo fato de ignorarmos a verdade ou falsidade dessa afirmação, devemos concluir que a afirmação contrária – fantasmas não existem – é verdadeira.

Também podemos definir essa falácia dizendo que ocorre quando alguém afirma que uma proposição é falsa porque ninguém até então provou que é verdadeira ou que é verdadeira porque ninguém provou que é falsa.

Embora o apelo à ignorância possa parecer um erro de raciocínio bastante elementar, dependendo da forma como é usada tem um grande poder de persuasão. É comum a encontrarmos em discussões para as quais faltam evidências conclusivas.

Exemplo 1

Analise o exemplo abaixo

A ciência afirma que o universo surgiu de uma grande explosão, o chamado Big Bang. Porém os cientistas não sabem muito bem como isso aconteceu. Além disso, podemos nos perguntar: mas se o universo surgiu de uma grande explosão, alguma coisa já existia para explodir e gerar o universo. E aí podemos colocar legitimamente a questão: como surgiu essa coisa que explodiu? Do nada? Como poderia ser possível que algo surgisse do nada? Diante dessas questões sem respostas, só podemos concluir que dever ter sido Deus o responsável por criar o universo.

Esse é o argumento padrão daqueles que usam a incapacidade da ciência de oferecer respostas para todas as questões como justificativa para acreditar que a proposição “Deus existe” é verdadeira. Nesse caso, o fato de ignorarmos a resposta para uma pergunta é considerada razão suficiente para afirmar que é verdade que “Deus existe”. Mesmo que não exista qualquer evidência disso e Deus seja uma resposta para a origem do universo cheia de problemas.

Exemplo 2

Aqui temos outro exemplo, para mostrar que cientistas também não estão livres de cometerem apelo à ignorância.

Nosso universo começou com uma explosão primordial, já que não podemos obter informações sobre eventos que ocorreram antes dela. A idade do universo, portanto, é o intervalo do Big Bang até o presente.

A conclusão desse argumento é a afirmação de que o universo começou com o Big Bang e sua idade é o intervalo entre esse evento inicial e o presente.  A única razão oferecida nesse argumento para justificar tal conclusão é o fato de os cientistas ignorarem qualquer informação sobre eventos anteriores ao Big Bang. Esse é um raciocínio falacioso, já que essas evidências ainda poderão ser encontradas ou talvez não, porque não restaram evidências desse período.

Referências sobre falácias

Almossawi, Ali. O livro ilustrado dos maus argumentos. Rio de Janeiro: Sextante, 2017.

Schopenhauer, Arthur. 38 estratégias para vencer qualquer debate. São Paulo: Faro Editorial, 2014.

Velasco, Patrícia Del Nero. Educando para a argumentação: contribuições do ensino da lógica. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2016.

Walton, Douglas N. Lógica Informal: manual de argumentação crítica. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

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