Empédocles | Filosofia na Escola

Empédocles

Empédocles é um filósofo pré-socrático que nasceu na cidade de Agrigento, na Sicília, em 492 a. C. e morreu em 435 a. C. Além de filósofo, era poeta, médico, participava da política e se atribuía poderes mágicos, como o de ressuscitar os mortos e controlar o vento e a chuva. Há uma lenda segundo a qual teria se suicidado se jogando na cratera de um vulcão para provar que era um deus imortal.

As quatro raízes

Empédocles era um admirador de Parmênides e aceitou como verdadeira sua conclusão fundamental: o ser é e o não-ser não é, de modo que é impossível o não-ser se tornar ser e o ser se tornar não-ser. Numa linguagem aproximada e menos abstrata, o ponto é que o universo existe e não pode ter surgido do nada, assim como esse mesmo universo que existe não pode se tornar nada.

Parmênides havia concluído disso que qualquer transformação na natureza era totalmente ilusória e, na verdade, tudo permanece imutável. Empédocles procurou desenvolver uma explicação para as transformações naturais que não implique um vir do nada e um ir para o nada.

Para o filósofo, assim como outros pré-socráticos como Tales, Anaxímenes e Heráclito, a natureza é formada por substâncias simples e básicas. Para Tales essa substância era a água, para Anaxímenes o ar, para Heráclito o fogo e Empédocles acreditava que tudo é constituído por água, terra, ar e fogo. Para ele, tais elementos são as “raízes de todas as coisas”, no sentido de que da combinação desses elementos surgem os planetas, as plantas, as rochas, os seres humanos.

Assim, na verdade, não existe nascimento nem morte, no sentido de uma coisa vir do nada e retornar para o nada. O que existe é um misturar-se e um separar-se de quatro elementos que sempre existiram e sempre existirão, pois são eternos e não se transformam. Quando do nascimento de um animal, por exemplo, uma série de elementos foram reunidos numa determinada ordem. Esse animal não surgiu do nada. Quando de sua morte, os mesmos elementos irão se separar. Portanto, nada deixa de existir realmente, tudo se transforma.

As forças que movem o universo

O que faz com os quatro elementos se reúnam e se separem?

De forma um pouco poética, Empédocles afirmava que as forças responsáveis para transformação no mundo são o amor e o ódio. Um faz com que os elementos se aproximem e o outro faz com que se separem.

No entanto, seria incorreto pensar que o universo como conhecemos surgiu do amor. O filósofo pensava que se o amor prevalecesse totalmente, todos os elementos seriam comprimidos num objeto esférico. Assim, não teríamos o nosso universo, mas um grande bola compacta. Por outro lado, se o ódio prevalecesse totalmente, teríamos um universo formado por uma infinidade de elementos afastados uns dos outros.

Assim, a natureza como a conhecemos surge de uma combinação em maior ou menor quantidade de amor e ódio. Ambos são necessários para que existam planetas, animais, árvores, estrelas etc.

Pensamento e percepção

Hoje acreditamos que o órgão responsável pelo pensamento é o cérebro. Empédocles tinha uma teoria bem diferente, defendia que era o coração o responsável pelo pensamento e que esses eram conduzidos através do sangue. De modo que o pensamento não é uma exclusividade dos seres humanos.

Empédocles também possuía uma teoria engenhosa da percepção, o primeiro filósofo a fazer isso. Percebemos as coisas que existem fora de nós através de eflúvios que emanam dos objetos e penetram os órgãos sensoriais. Esses órgãos são como fechaduras, que só admitem certos tipos de chaves. Reconhecem certos elementos e não outros.

Nossos órgãos sensoriais, o nariz, os olhos, o tato, a audição, assim como os objetos são formados pelos mesmos elementos: terra, ar fogo e água. Assim, a percepção é alcançada pela atração de semelhantes: percebemos cores pelo fogo e cores escuras pela água.

Empédocles: o imortal

Empédocles, por influência dos pitagóricos, tinha uma série de crenças místicas. Acreditava ter sido um deus imortal, mas que por cometer o pecado de assassinato e comer carne, foi condenado a pagar sua culpa se tornando uma infinidade de outros seres: árvore, pássaro, peixe etc.

Esse processo durou milhares de anos, mas enfim havia expirado a culpa e se tornado novamente um ser imortal. De modo que não precisaria mais reencarnar em formas de vida inferiores.

Não está claro se a imortalidade e o processo de reencarnação descrito por Empédocles era algo que acontecia com todos os seres humanos ou com apenas alguns seletos. O fato é que o filósofo se considerava um ser imoral.

Referências consultadas

Giovanni Reale. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulus Editora, 1990, pp. 59-62.