Ad hominem circunstancial: significado e exemplos | Filosofia na Escola

Ad hominem circunstancial: significado e exemplos

ad hominem circunstancial

O ad hominem circunstancial  é uma falácia ad hominem que consiste em atacar a imparcialidade do argumentador, acusando-o de tendencioso, em virtude de alguma circunstância pessoal. Essa circunstância pode ser o cargo ocupado, a profissão, a crença religiosa ou outras características pessoais.

Primeiro exemplo ad hominem circunstancial

Imagine o diálogo abaixo sobre meios de transporte

Milene – Penso que o melhor meio de transporte é a bicicleta, pois além não poluir o meio ambiente ainda nos torna mais saudáveis.

Bárbara – Isso não é verdade. Nada como a comodidade de um carro. Além disso, com ele temos liberdade de fazer muitas coisas.

Milene – Você é dona de um posto de gasolina, é impossível levar a sério o que diz.

No diálogo acima, Milene usa, como razão para desconsiderar os argumentos de Bárbara, o fato de esta ser dona de um posto de gasolina. Se Bárbara vende combustível, é do interesse dela que muitas pessoas andem de carro. Esse é apontado como o motivo para sua defesa do carro como melhor meio de transporte.

É verdade que Bárbara tem um incentivo para pensar que o carro é melhor que a bicicleta. Porém, isso também não impede que tenha bons argumentos. Para não incorrer na falácia de envenenar o poço é necessário analisar esses argumentos ao invés de simplesmente descartá-los com base em uma circunstância pessoal. Quando a discussão é encerrada simplesmente porque há um conflito de interesses, sem que os argumentos sejam analisados, cometemos uma falácia.

Segundo exemplo

Em um debate sobre aborto no Canadá, a presidente do congresso declarou o seguinte:

Gostaria que os homens pudessem se envolver emocionalmente nessa questão. É realmente impossível para o homem, para quem é impossível estar nessa situação [estar grávido], percebê-la do ponto de vista de uma mulher. É por isso que estou preocupada com o fato de não haver mais mulheres nesta Casa que possam falar sobre isso do ponto de vista de uma mulher.

A fala da presidente é claramente um ad hominem. Deveríamos descartá-la como falaciosa? É necessária uma análise cuidadosa.

Aparentemente, sua autora está defendendo que a opinião dos homens não tem tanto valor nessa questão ou até mesmo não deveria ser considerada, pois nenhum homem pode engravidar. Porém, não está bem claro se é isso.

Caso fosse essa sua intenção, seria uma falácia? O problema desse tipo de argumento, que acusa o argumentador de parcialidade por suas circunstâncias pessoais, é que ele acaba com o debate.

Se o homem, por ser homem, será necessariamente tendencioso ou terá uma visão unilateral do assunto, o mesmo é válido para a mulher, que também terá uma visão unilateral e tendenciosa. Se é assim, então não faz sentido continuar o diálogo.

Referências e leitura adicional

Walton, Douglas N. Lógica Informal: manual de argumentação crítica. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

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