Ad hominem circunstancial: significado e exemplos

ad hominem circunstancial
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William é formado em filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem especialização em docência e trabalha como professor de filosofia no ensino médio.
julho 2019 - 3 min de leitura

O ad hominem circunstancial  é uma falácia ad hominem que consiste em atacar a imparcialidade do argumentador, acusando-o de tendencioso, em virtude de alguma circunstância pessoal. Essa circunstância pode ser o cargo ocupado, a profissão, a crença religiosa ou outras características pessoais.

Primeiro exemplo ad hominem circunstancial

Imagine o diálogo abaixo sobre meios de transporte

Milene – Penso que o melhor meio de transporte é a bicicleta, pois além não poluir o meio ambiente ainda nos torna mais saudáveis.

Bárbara – Isso não é verdade. Nada como a comodidade de um carro. Além disso, com ele temos liberdade de fazer muitas coisas.

Milene – Você é dona de um posto de gasolina, é impossível levar a sério o que diz.

No diálogo acima, Milene usa, como razão para desconsiderar os argumentos de Bárbara, o fato de esta ser dona de um posto de gasolina. Se Bárbara vende combustível, é do interesse dela que muitas pessoas andem de carro. Esse é apontado como o motivo para sua defesa do carro como melhor meio de transporte.

É verdade que Bárbara tem um incentivo para pensar que o carro é melhor que a bicicleta. Porém, isso também não impede que tenha bons argumentos. Para não incorrer na falácia de envenenar o poço é necessário analisar esses argumentos ao invés de simplesmente descartá-los com base em uma circunstância pessoal. Quando a discussão é encerrada simplesmente porque há um conflito de interesses, sem que os argumentos sejam analisados, cometemos uma falácia.

Ver também  Falácia da falácia ou argumentum ad logicam

Segundo exemplo

Em um debate sobre aborto no Canadá, a presidente do congresso declarou o seguinte:

Gostaria que os homens pudessem se envolver emocionalmente nessa questão. É realmente impossível para o homem, para quem é impossível estar nessa situação [estar grávido], percebê-la do ponto de vista de uma mulher. É por isso que estou preocupada com o fato de não haver mais mulheres nesta Casa que possam falar sobre isso do ponto de vista de uma mulher.

A fala da presidente é claramente um ad hominem. Deveríamos descartá-la como falaciosa? É necessária uma análise cuidadosa.

Aparentemente, sua autora está defendendo que a opinião dos homens não tem tanto valor nessa questão ou até mesmo não deveria ser considerada, pois nenhum homem pode engravidar. Porém, não está bem claro se é isso.

Caso fosse essa sua intenção, seria uma falácia? O problema desse tipo de argumento, que acusa o argumentador de parcialidade por suas circunstâncias pessoais, é que ele acaba com o debate.

Se o homem, por ser homem, será necessariamente tendencioso ou terá uma visão unilateral do assunto, o mesmo é válido para a mulher, que também terá uma visão unilateral e tendenciosa. Se é assim, então não faz sentido continuar o diálogo.

Referências e leitura adicional

Walton, Douglas N. Lógica Informal: manual de argumentação crítica. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

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