Apelo ao ridículo

Apelo ao ridículo

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William é formado em filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem especialização em docência e trabalha como professor de filosofia no ensino médio.
dezembro 5, 2019 - 3 min leitura

O apelo ao ridículo é uma falácia de relevância que ocorre quando uma ideia é considerada falsa porque soa ridícula.

Um argumento é falacioso quando viola alguma das regras de um bom argumento. O apelo ao ridículo viola a exigência de que argumentos bons devem ter premissas que sejam relevantes para mostrar que a conclusão é verdadeira. Ou seja, a premissa do argumento deve contribuir, o mínimo que seja, para mostrar que a conclusão é aceitável. Dizer que uma ideia é ridícula não contribui para isso.

Que o apelo ao ridículo é irrelevante fica claro se considerarmos um exemplo. Imagine qual foi a reação das pessoas no século XIX ao ouvirem pela primeira vez a teoria da evolução de Darwin, em particular a consequência de que os homens evoluíram do macaco.

A julgar pelas caricaturas da época, muitas pessoas pensaram que isso não passava de um disparate.

Publicado em Fun, novembro 1872.

Se o critério para avaliar se uma ideia é verdadeira ou não fosse não ser ridícula, teorias inovadoras jamais seriam aceitas, pois em geral o que não é familiar provoca risos ou outras reações emocionais.

Uma falácia de apelo ao ridículo tem a seguinte forma:

Todo ponto de vista que parece ridículo é falso.

Esse ponto de vista é ridículo.

Portanto, é falso.

Observando assim, fica claro que não é um argumento válido.

Humor e argumentação

No entanto, há situações nas quais humor e argumentação aparecem ligados de várias formas, e nem sempre são falaciosas.

Uma possibilidade é que o ridículo seja o efeito de um argumento não falacioso chamado de reductio ad absurdum ou redução ao absurdo.

Para usar esse argumento você deve assumir que a teoria que está tentando criticar é verdadeira e retirar dela consequências contraditórias ou inaceitáveis por alguma outra razão. O efeito desse tipo de argumento pode ser revelar que a teoria original é ridícula.

Um exemplo desse tipo de argumento é o seguinte:

Se Deus fosse onipotente, ele poderia fazer qualquer coisa, inclusive uma pedra tão pesada que ele mesmo não poderia levantar. No entanto, se ele é incapaz de levantar a pedra, então ele não é onipotente. A ideia de um ser onipotente, portanto, parece ser uma contradição lógica.

Para algumas pessoas, a reação ao argumento pode ser “mas que ridícula a ideia de um ser onipotente”. No entanto, não há nenhuma falácia nesse caso, pois a conclusão está sendo defendida através de um re reductio ad absurdum e não de um apelo ao ridículo. A diferença é que ideia é ridícula porque falsa, e não falsa porque ridícula.

Referências e leitura adicional

Para conhecer mais, veja nossa lista de falácias com dezenas de textos didáticos abordando esse tema. Para uma análise mais aprofundada, sugerimos a leitura de Lógica Informal, um livro de Douglas Walton. Esse é o material mais abrangente em português sobre o assunto. Para mais referências, veja o artigo 7 Livros sobre Falácias.

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