Um advogado determinista

25 de agosto de 2019 - 4 min leitura

Um bom exemplo da negação da responsabilidade moral dos deterministas pode ser encontrado em uma estratégia de defesa de Clarence Darrow (1857-1938), uma das mais famosas entre os advogados criminais dos EUA. Em um caso célebre, Darrow defendeu dois adolescentes acusados de assassinarem um Menino de 14 anos. Os assassinos confessos foram Nathan Leopold Jr. (19 anos) e Richard Loeb (18 anos). Ambos vieram de famílias abastadas de Chicago e eram estudantes brilhantes. Leopold já havia se formado na Universidade de Chicago e Loeb na Universidade de Michigan. O assassinato foi o resultado de uma “experiência” intelectual em que eles tentaram cometer o crime perfeito. Quando eles foram capturados, um público indignado exigiu a pena de morte. No entanto, Clarence Darrow argumentou que os dois meninos eram as vítimas indefesas de sua hereditariedade e meio ambiente. Assim, eles não eram mais responsáveis por seu crime, ele disse, do que pela cor dos olhos. Depois que Darrow falou por 12 horas apresentando seus argumentos finais, o silêncio do tribunal foi quebrado apenas pelo choro do juiz. O júri foi convencido por seus argumentos e escolheu como punição para os meninos a prisão perpétua. A passagem a seguir é um trecho do argumento de Darrow. Encontre as frases que indicam que Darrow era um determinista.

Texto

Eu não sei o que fez esses garotos fazer isso, mas sei que há uma razão para isso. Eu sei que eles não criaram a si mesmos. Sei que qualquer uma de um número infindável de causas, que remontam ao começo de suas vidas, podem estar trabalhando nas mentes desses rapazes.

A natureza é forte e ela é impiedosa. Ela trabalha do seu jeito misterioso e somos suas vítimas.

O que levou esse menino a fazer isso? Ele não era seu próprio pai; ele não era sua mãe; ele não era seus próprios avós. Tudo isso foi entregue a ele. Ele não se cercou de governos e riqueza. Ele não se fez. E ainda assim ele deve ser obrigado a pagar….

Eu sei que uma das duas coisas aconteceu com Richard Loeb: que esse crime terrível era inerente ao seu organismo e veio de algum ancestral; que ele veio através de sua educação e seu treinamento depois que ele nasceu….

Acreditar que qualquer menino é responsável por si ou por seu treinamento inicial é um absurdo que nenhum advogado ou juiz deve ser culpado hoje. De alguma forma isso chegou ao menino. Se a sua falha veio de sua hereditariedade, eu não sei onde ou como. Nenhum de nós é criado perfeito e puro; e a cor dos nossos cabelos, a cor de nossos olhos, nossa estatura, o peso e perfeição de nosso cérebro, e tudo sobre nós poderia, com pleno conhecimento, ser traçado com absoluta certeza em algum lugar, seja nossa educação, seja nossa hereditariedade.

Todo esforço para proteger a sociedade é um esforço para educar os jovens para se manterem no caminho. Toda a educação no mundo prova isso, e da mesma forma prova que às vezes falha. Eu sei que se esse menino tivesse sido adequadamente entendido e devidamente educado – com uma educação apropriada para ele –  ele poderia ter sido muito bom para alguém; mas se tivesse sido educado da maneira adequada para ele, não estaria neste tribunal hoje com a corda no pescoço. Se há responsabilidade em qualquer lugar, está em volta dele; em algum lugar no número infinito de seus ancestrais, ou em seu entorno, ou em ambos. E eu acredito, Meritíssimo, que sob todo princípio de justiça natural, sob todo princípio de consciência, de direito, ninguém deveria ser responsabilizado pelos atos de outra pessoa.

This post has 7 Comments

  1. Rafael Oliveira disse:

    acho que colocar a “culpa ” ou o peso desses atos sem seus ancestrais é injusto, acho que esses meninos tiveram suas escolas, mas seria injusto colocar a culpa desses atos em seus ancestrais, e realmente teve algo de errado ao redor desses meninos ou foi a educação trazida de dentro de casa, mesmo sabendo sobre o caso superficialmente acho que o ato dos jovens foi errado

  2. Paola Netto disse:

    Eu acho injusto colocar esse pesso desses atos encima desses meninos sem saber como foi a educação deles e o que levou eles a fazer isso ,mas quem deve ser responsaveis sao os pais por não darem educacao e sao meninos e não adultos para receber todo esse pesso em cima deles.mas foi errado o que eles fizeram .

  3. Mayan disse:

    “A natureza é forte e ela é impiedosa. Ela trabalha do seu jeito misterioso e somos suas vítimas.”

    “Sei que qualquer uma de um número infindável de causas, que remontam ao começo de suas vidas, podem estar trabalhando nas mentes desses rapazes.”

    “há responsabilidade em qualquer lugar, está em volta dele; em algum lugar no número infinito de seus ancestrais,”

    Aqui ele fala propriamente como um determinista, deixando claro que o crime que o jovem comsteu foi causado pela estrutura familiar em que ele foi criado, que era algo “destinado” a ele por causa de seus ancestrais. Exatamente como indica o Determinismo.

  4. Yasmin disse:

    Não sei qual os quais motivos que levaram dois jovens matarem outro jovem, mas tenho certeza que esse ato foi cruel e idependente de suas origens, criações acho eles culpados. Pois de qualquer maneira quem faz e prática nossas escolhas somos nós mesmos. Esses jovens tiverem difilcudade mas ninguém mandou eles matarem o menino,foi suas escolhas e opções que os levaram ao tribunal. Acho eles culpados pois acredito que todos nos temos escolhas e segundas chances.

  5. Teresinha disse:

    Acho que os meninos são culpados, independente de suas criações, dificuldade ou qualquer problema sempre se tem uma segunda chance de fazer o certo e o exemplo do que é errado.

  6. Rodrigo disse:

    Eu acho errado a atitude dos meninos, e eles devem ser penalizados sim porque por mais que mostram o caminho errado pra eles , eles sabiam que aquilo não era certo e devem ter visto em algum lugar o que não se deve fazer então eles fizeram a escolha de seguir o lado ruim, ainda mais que eles já eram maior de idade então eles tavam completamente ciente de seus atos que poderia ter consequências.

  7. Rafaela disse:

    O julgamento Diante do juiz tem o caso de dois jovens que cometeram o crime, o advogado dá ao juiz motivos para os dois meninos não ter a sentença de morte como as pessoas da cidade queria. Mesmo que você não tenha uma criação, não tenha uma presença materna, você não tem autoridade de tirar a vida de qualquer ser vivo. Os dois meninos são sim culpados por terem desfeito a longa vida que o outro jovem poderia ter, sem autoridade alguma, tem poder algum. Ninguém veio ao mundo com livre arbítrio de tirar a vida de outro ser humano, independente do que seja que tenha ocorrido o ato foi de pura maldade, assim feito os dois a ser culpados! Ainda sim, não os daria sentença de morte, mas sim direito de cumprir sua sentença, dando a eles a liberdade de viver e aprender com seus erros, iria fazer o contrário deeles que não pensaram nem duas vezes em tirar do menino que foi morto.

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