Fatalismo e determinismo | Filosofia na Escola

Fatalismo e determinismo

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Ocorreu a queda de um avião e há um único sobrevivente. Um determinista dirá que isso ocorreu porque uma série de causas levaram a esse resultado. Se outras causas tivessem entrado em ação, o resultado teria sido diferente. Já de acordo com o fatalismo, o destino de todas as pessoas já está traçado por um ser ou força superior, e nada pode ser feito para aletrá-lo. Se não morreu é porque “não era sua hora”.

O determinismo e o fatalismo possuem alguma semelhança, mas, ao mesmo, tempo têm diferenças importantes. Em primeiro lugar, vamos ver o que significa cada um desses conceitos para em seguida compará-los.

Semelhanças

O determinismo é uma concepção sobre o mundo, tanto natural quanto humano, segundo o qual tudo está sujeito a leis naturais e relações de causa e efeito. Essa teoria é vista tipicamente como sendo incompatível com o livre-arbítrio, porque as ações são vistas como o resultado de uma série de causas sociais e ambientais e não de uma vontade livre.

Apresentar um exemplo e concluir da seguinte forma: de acordo com o determinismo, não temos alternativas reais. Diante de uma situação concreta, só nos resta fazer aquilo que foi determinado por uma série de causas que nos afetaram e as circunstâncias.

O fatalismo ou a ideia de destino, por outro lado, acredita que “o que tiver que ser será”. Você certamente conhece alguma pessoa que pensa que não é necessário cuidar da saúde, porque quando “chegar a hora” vamos morrer de qualquer forma, tomando ou não cuidado. Por trás dessa afirmação há uma concepção de que nosso destino foi traçado antes mesmo de nosso nascimento e nada poderá mudá-lo. O fatalismo ou destino significa isso: há um futuro que é inalterável pela frente.

Nesse caso, assim como no determinismo, também há um conflito com a ideia de livre-arbítrio. Essa é justamente a concepção de que podemos escolher o rumo que desejamos para a nossa vida, que somo capazes de mudar o futuro através de nossas ações.

Fatalismo e determinismo se assemelham, portanto, nesse aspecto. Ambos são ideias que, à primeira vista, conflitam com nosso conceito de livre-arbítrio. Se somos determinados causalmente, então não somo livres; se nosso destino já está traçado, então também não somos livres.

Diferenças

Porém, as semelhanças acabam por aí. Fatalismo e determinismo são concepções completamente contraditórias, que expressam visões de mundo bastante diferentes.

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Em primeiro lugar, o fatalismo acredita que certos aspectos do futuro de uma pessoa é imutável. Por exemplo, se é o destino de alguém morrer em um acidente de carro, isso irá acontecer, não importa o cuidado que tome ao transitar por aí. Há por trás dessa visão uma ideia de impotência do ser humano diante de forças maiores, que não compreende, que pode controlar. As ações humanas não têm eficácia causal, pois não são capazes de alterar o curso dos eventos.

O determinismo, por outro lado, não diz que possuímos algo como um destino inalterável. Nossas ações são o resultado de causas e circunstâncias. Conforme essas mudam, mudam nossas ações. Tomando o exemplo anterior, um determinista acredita que não há qualquer possibilidade de estarmos destinados a morrer em um acidente de carro. Isso ocorrer ou não depende de uma série de causas, como minha educação no trânsito, o fato de gostar ou não de correr risco, as condições das estradas que costumo usar, o fato de gostar de bebida alcoólica ou não, a atitude no trânsito de outros motoristas etc. São esses os fatores, as causas que determinam se irei morrer ou não em um acidente, não o destino.

Dessa forma, o determinismo não é pessimista quanto à eficácia das ações humanas, pois não há um futuro completamente fechado, um destino.

Em segundo lugar, determinismo e fatalismo têm origens diferentes. O fatalismo é uma concepção religiosa ou mítica. Deus é visto como o responsável por estabelecer o destino dos seres humanos. É uma concepção que apela a uma dimensão espiritual.

O determinismo, por outro lado, tem origem numa concepção materialista da natureza e do homem, geralmente associada à ciência moderna. O mundo é regido por leis e relações de causa e efeito, diz a ciência. Está aí a origem de uma concepção determinista sobre a natureza e o homem.

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