O problema da indução é uma crítica, inicialmente formulada por David Hume e posteriormente usada por Karl Popper, ao método indutivo. De acordo com essa crítica, o método indutivo não é capaz de gerar um conhecimento seguro e verdadeiro sobre a realidade.

O problema da indução surge para qualquer tipo de conhecimento que use o método indutivo. É muito comum a ideia de que a ciência usa esse método. Segundo essa concepção, os cientistas observam a natureza cuidadosamente e depois disso formulam leis. Um exemplo clássico desse processo é a pesquisa com plano inclinado de Galileu Galilei.

No século XVII, prevalecia a ideia de Aristóteles de que os objetos caem mais rápido conforme seu peso. Para verificar se isso era realmente assim, Galileu criou um experimento para testar. Construiu um plano inclinado, rolou por ele diferentes bolas e mediu sua velocidade.Para sua surpresa, descobriu que todas as bolas caiam na mesma velocidade, independente do peso. Além disso, também descobriu que à medida que cada bola caía e ficava mais próxima ao solo, se movia cada vez mais rápido.

Depois de uma série de experimentos como esse, Galileu formulou a famosa lei de que os objetos caem na Terra com uma aceleração constante.

Levando em consideração esse exemplo, vamos entender o que é o problema da indução. Para isso, vamos analisar o raciocínio utilizado por Galileu. Se consultássemos suas anotações dos experimentos, iríamos encontrar algo assim:

A bola 1 caiu a uma aceleração constante.

A bola 2 caiu a uma aceleração constante.

A bola 3 caiu a uma aceleração constante.

A bola 4 caiu a uma aceleração constante.

A bola 5 caiu a uma aceleração constante.

A bola 6 caiu a uma aceleração constante.

Portanto, qualquer objeto cai a uma aceleração constante, essa é uma lei da natureza.

É verdade que o raciocínio de Galileu aparece aqui simplificado, mas é mais ou menos esse. Ele observou uma série de experimentos, mediu cuidadosamente, comparou os resultados e concluiu que qualquer objeto cai a uma aceleração constante. O que mostra também que Aristóteles estava errado.

Onde está o problema da indução? De um ponto de vista lógico, a conclusão de Galileu não é válida, porque ela transcende, tem mais informação, do que aquilo que ele observou. Uma lei da natureza como essa se supõe que seja válida para todo e qualquer objeto, em qualquer tempo. Ou seja, Galileu está afirmando que no tempo de Aristóteles a queda dos corpos se dava da mesma forma que em seu experimento. E, além disso, que no futuro os objetos irão cair da mesma maneira.

Porém, suas observações se restringem a um número minúsculo de objetos comparado ao número de objetos que a lei abrange. Vamos supor que Galileu tenha repetido seu experimento 1000 vezes, o que já é um número bem expressivo. Desses 1000, ele chegou a uma conclusão que se aplica a quantos trilhões de objetos?

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Em resumo, o problema da indução se deve ao fato de que não importa o número de experimento ou fatos particulares você observe, jamais será possível com isso provar que uma afirmação universal é verdadeira.

Como a ciência parece fazer exatamente isso, chegar a conclusões universais (as leis científicas) a partir de observações particulares, não é capaz de provar suas conclusões.

Referências e leitura adicional

Para conhecer mais sobre ciência e métodos científicos, veja nossa série de artigos sobre filosofia da ciência. Para uma leitura mais aprofundada e introdutória sobre o tema, sugerimos o livro de Chalmers abaixo.

Chalmers, Alan. O que é a ciência afinal? São Paulo: Editora Brasiliense, 1993.

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