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Filosofia da Ciência

filosofia da ciência
Muito do que pensamos sobre a ciência está incorreto, são mitos. A começar pela associação quase imediata entre ciência a imagens como essa acima, que reduzem a ciência às ciências naturais, o estudo científico à estudos em laboratórios cheios de aparelhos inusitados.

A filosofia da ciência é uma área da filosofia que procura refletir sobre a ciência tal como é praticada pelos mais diferentes cientistas. Entre as questões colocadas pelos filósofos sobre a ciência, se destacam:

  • O que é a ciência? Quais as principais características do conhecimento científico e o que diferencia esse conhecimento de outras formas de saber, como a religião, crenças populares, pseudociência?
  • A ciência possui um método? Quais as características do método científico? Todos os cientistas usam o mesmo método? Quais diferenças existem entre as ciências humanas e as ciências da natureza nesse aspecto?

O que é a ciência?

Para muitas pessoas hoje, a ciência é a fonte de conhecimento mais respeitada e valorizada. Quando temos uma doença grave, em geral, preferimos recorrer à medicina ao invés de um curandeiro. Supomos que ela pode oferecer um conhecimento apropriado da realidade e suas teorias são particularmente confiáveis. Quando uma determinada teoria é duvidosa ou pouco confiável, dizemos que ela não é científica. Qualificamos uma afirmação como “científica” para distingui-la de alegações que são fraudulentas ou baseadas em superstição, mera intuição, ou preconceito.

Assim, cabe perguntar, a que se deve esse prestígio que a ciência adquiriu? O que faz com que ela seja particularmente valiosa?

A resposta a essas perguntas geralmente são: o método que a ciência usa, o método científico. A ciência é bem-sucedida em suas investigações e capaz de descobrir uma série de coisas porque ela usa um método próprio. E qual é esse método?

A ciência possui um método?

Ocorre que não há consenso sobre o que seja esse método, há inclusive quem acredite que a ciência não possui nada que se assemelhe a um método. Entre as várias teorias sobre método e o funcionamento da ciência, se destacam as seguintes.

  • O método indutivo.  Desenvolvido por filósofos como Francis Bacon (1561 – 1626) e Stuart Mill (1806 – 1873), defende que a ciência trabalha para verificar teorias a partir de observações repetidas. Acredita que o que diferencia ciência de pseudociência é o fato de teorias científicas serem verificadas, ao contrário das demais.
  • O falsificacionismo. Concepção proposta por Karl Popper (1902 – 1994), acredita que a ciência trabalha propondo novas teorias e tentando mostrar que essas são falsas. O que diferencia ciência e pseudociência, nessa perspectiva, é a capacidade que uma teoria tem de ser falsificável. Teorias científicas são falsificáveis, pseudocientíficas, não.
  • Paradigmas científicos. Desenvolvida por Thomas Kuhn (1922 – 1996), essa concepção afirma que a ciência é constituída por uma variedade de comunidades de investigação. Fazer ciência significa aceitar o “paradigma” de alguma dessas comunidades e trabalhar no interior dele resolvendo problemas. O darwinismo, o heliocentrismo e o geocentrismo são alguns exemplos do que Kuhn chama de paradigmas.  Eventualmente ocorrem mudanças de paradigmas, o antigo sai de cena e um novo é criado. É através desse processo que a ciência se desenvolve.
  • Anarquismo epistemológico. Proposta por Paul Feyerabend (1924 – 1994), essa teoria defende que a ciência não possui método algum. Se fossemos identificar uma regra que é usada pelos cientistas em suas investigações, essa regra seria “tudo vale”. O filósofo é um crítico de todas as ideias apresentadas anteriormente: o indutivismo, o falsificacionismo e os paradigmas científicos.

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Como se vê, a resposta para as perguntas “o que é a ciência” e “o que a diferencia da pseudociência” não é tão simples. Se seu objetivo ao ler o texto era uma resposta rápida para essas questões, é natural uma certa frustração ao ler isso. De qualquer forma, é sempre melhor saber que não sabemos que alimentar a ilusão de conhecimento sobre um tema tão rico depois da leitura de um artigo breve como esse.

Os próximos artigos exploram com mais detalhes cada uma das teorias listadas acima. E se desejar ir mais a fundo, nas referências deixamos a sugestão de um livro introdutório, abrangente e aprofundado sobre o assunto.

Referências e leitura adicional

Para conhecer mais sobre ciência e métodos científicos, veja nossa série de artigos sobre filosofia da ciência. Para uma leitura mais aprofundada e introdutória sobre o tema, sugerimos o livro de Chalmers abaixo.

Chalmers, Alan. O que é a ciência afinal? São Paulo: Editora Brasiliense, 1993.

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