Afirmação do consequente

Afirmação do consequente

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William é formado em filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem especialização em docência e trabalha como professor de filosofia no ensino médio.
dezembro 13, 2019 - 4 min leitura

A afirmação do consequente é uma falácia formal que ocorre quando a segunda premissa de um silogismo afirma o consequente de uma premissa condicional. A linguagem é complexa, mas isso já vai ficar claro. Considere o exemplo abaixo:

Se Sofia está em Porto Alegre, então ela está no Rio Grande do Sul

Sofia está no Rio Grande do Sul.

Portanto, ela está em Porto Alegre.

Esse argumento tem duas premissas. A primeira, chamamos de afirmação condicional, pois tem a forma “se-então”. Toda afirmação com essa estrutura é uma condicional. Se digo “se chover, irá esfriar”, estou fazendo uma afirmação condicional, mesmo que o “então” esteja implícito.

Uma afirmação condicional tem dois elementos. Um antecedente, que especifica uma condição (“se Sofia está em Porto Alegre”, por exemplo) e um consequente, que determina o que ocorrerá se a condição for satisfeita (“então ela está no Rio Grande do Sul”, por exemplo). O antecedente é precedido pelo “se” e o consequente pelo “então”.

Agora você tem condições de entender a definição inicial da afirmação do consequente. Note que a segunda premissa do argumento acima (“Sofia está no Rio Grande do Sul”) afirma o consequente da primeira premissa e com base nisso chega a uma conclusão sem fundamentos.

O argumento acima é uma falácia porque, se supormos que as duas premissas são verdadeiras, não podemos saber se a conclusão também é verdadeira. É possível que Sofia, mesmo estando no Rio Grande do Sul, se encontre em qualquer cidade desse estado. As informações oferecidas nas premissas não são suficientes para excluir essa possibilidade.

Todo argumento que afirma o consequente é falacioso, não importa seu conteúdo. Considere um segundo exemplo:

Se jogarmos bem, ganharemos o jogo.

Ganhamos o jogo.

Portanto, jogamos bem.

O jogo pode ter sido ganho por outros motivos como a ajuda do juiz, a qualidade muito inferior do time adversário, a sorte etc. O simples fato de o jogo ter sido ganho não é razão suficiente para afirmar que um time jogou bem.

De modo geral, se a afirmação condicional “se jogarmos bem, ganharemos o jogo” é verdadeira, sua inversão “se ganharmos o jogo, jogaremos bem” não necessariamente será. Por isso que a afirmação do consequente resulta em uma falácia.

Afirmação do consequente e modus ponens

A falácia de afirmação do consequente tem uma forma lógica semelhante a um tipo de argumento válido chamado de modus ponens. Talvez por isso ela seja confundida com um argumento válido.

A afirmação do consequente tem a seguinte forma:

Se P, então Q

Q

Então, P

“P” e “Q” são variáveis para qualquer afirmação, como “jogamos bem” ou “ganhamos o jogo”.

modus ponens, por outro lado, tem uma forma ligeiramente diferente:

Se P, então Q

P

Então, Q

Por exemplo:

Se jogarmos bem (P), ganharemos o jogo (Q)

Jogamos bem (P)

Portanto, ganhamos o jogo (Q)

Como pode ver nesse exemplo, o modus ponens é um argumento válido, pois é possível afirmar que a conclusão é verdadeira se as premissas também forem. Sua diferença em relação à afirmação do consequente está no fato de que, na segunda premissa, afirma o antecedente ao invés do consequente. Esse detalhe faz toda a diferença. Faz dele um tipo de argumento válido.

Referências e leitura adicional

Para conhecer mais, veja nossa lista de falácias com dezenas de textos didáticos abordando esse tema. Para uma análise mais aprofundada, sugerimos a leitura de Lógica Informal, um livro de Douglas Walton. Esse é o material mais abrangente em português sobre o assunto. Para mais referências, veja o artigo 7 Livros sobre Falácias.

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