Epistemologia: significado e teorias | Filosofia na Escola

Epistemologia: significado e teorias

epistemologia

Significado de epistemologia

A epistemologia é uma área da filosofia que se dedica ao estudo do conhecimento. “Epistemologia” é formada pelas palavras “episteme”, que significa conhecimento em grego, e “logos”, que significa discurso racional, ou simplesmente estudo.

Para começar a entender como ela funciona, é útil considerar um exemplo concreto de questão epistemológica sendo colocada. Oliver Sacks, um neurologista conhecido por estudos sobre alucinações, relata no livro Mente Assombrada um caso bastante inusitado. Foi chamado a um asilo para auxiliar uma senhora que estava vendo ao longo de vários dias cenas estranhas. Com um detalhe: a senhora era cega.

Ao pedir que descrevesse o que estava vendo, respondeu: “Gente com trajes orientais! De roupas drapeadas, subindo e descendo escada… um homem que se vira para mim e sorri, mas ele tem dentes enormes de um lado da boca. Animais também. Vejo uma cena com um prédio branco, e está nevando — uma neve macia, em redemoinhos. Vejo um cavalo (não um cavalo bonito, um cavalo de carga), com arreios, levando embora a neve… mas está sempre mudando… vejo muitas crianças, subindo e descendo escadas. Usam cores vivas — rosa, azul — como roupas orientais.”

O fato de algo dessa natureza ser possível com um ser humano gera dúvidas sobre nossa capacidade de conhecer a realidade. E se estivéssemos errados em relação à muitas coisas que pensamos saber por termos visto com nossos próprios olhos? A percepção é sempre uma fonte de conhecimento apropriada ou por vezes ela nos engana?

Dúvidas dessa natureza são questões epistemológicas. Elas nos levam a perguntar se somos capazes de conhecer alguma coisa, quais as fontes de nosso conhecimento, quais as limitações e deficiências em nosso processo cognitivo, o que podemos saber e com que grau de segurança.

De maneira breve, as questões fundamentais da epistemologia são:

  1. É possível ter conhecimento de algo?
  2. Qual o papel da razão e da experiência no nosso conhecimento do mundo?
  3. Podemos conhecer a realidade tal como ela é?

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Principais teorias na epistemologia

Ao longo da história da filosofia, diferentes filósofos propuseram respostas alternativas aos problemas centrais da epistemologia. Essas respostas podem ser esquematizadas nas abordagens abaixo.

Ceticismo

O ceticismo defende a tese de que não é possível conhecer a realidade. Os céticos acreditam que, para termos conhecimento, é necessária uma justificativa para aquilo que acreditamos. Se digo “sei que Deus existe”, devo oferecer uma justificativa suficiente para mostrar que minha crença é verdadeira. Porém, afirmam os céticos, sempre é possível oferecer justificativas contrárias igualmente fortes, de modo que pessoa alguma pode dizer que “sabe” da existência de Deus.

Há diferentes tipos de ceticismo. Alguns mais limitados, que alegam que não podemos saber coisas sobre Deus, mas que em domínios mais limitados, como na física ou na biologia, podemos ter conhecimento.

Porém, há céticos bastante radicais, que alegam que não podemos conhecer absolutamente nada, pois todo conhecimento humano é incerto. Até mesmo a crença que você tem nesse momento de que está em frente a um texto, lendo sobre ceticismo, afirmam, pode estar errada.

Racionalismo

O racionalismo afirma que a razão é a fonte primária do nosso conhecimento sobre a realidade. Ou seja, podemos conhecer o mundo simplesmente raciocinando sobre ele, sem a necessidade da observação. Por exemplo, alguns pensadores afirmaram serem capazes de deduzir a existência de Deus e prová-la através do raciocínio puro. Platão, um dos filósofos mais lembrados, acreditava que todo nosso conhecimento é fruto da razão.

Os racionalistas têm opiniões totalmente opostas aos céticos. Acreditam que podemos conhecer a realidade, e até mesmo em temas polêmicos como a existência de Deus. E não apenas isso. Acreditam que esse conhecimento é absolutamente correto. Isso porque a razão humana é capaz de conhecer a realidade tal como ela é.

Empirismo

O empirismo acredita que a única fonte de conhecimento humano é a experiência. Os empiristas afirmam que quando nascemos nossa mente é como uma folha em branco, na qual não existe qualquer informação registrada. Com o passar do tempo, vamos observando o mundo e aprendendo. Aprendemos que o sol é amarelo e nasce no leste. Que ao longo do ano as estações vão mudando etc. E assim, todo o que sabemos se origina de nossa observação, de modo que podemos ter conhecimento somente daquilo que podemos observar.

Construtivismo

O construtivismo é um meio termo entre racionalismo e empirismo. Defende que a razão por si só não é capaz de proporcionar conhecimento da realidade, mas tampouco a mente é uma espécie de recipiente passivo de informações provenientes dos sentidos. A ideia é que a mente constrói o conhecimento a partir dos materiais da experiência. As informações provenientes dos sentidos chegam de forma desorganizada aos sentidos e a razão trata de impor uma certa organização a essas experiências. O principal representante dessa perspectiva é Immanuel Kant, filósofo do século XVIII.

Para o construtivismo, o ser humano é capaz de conhecer a realidade, a razão e a experiência têm papéis distintos a desempenhar nesse processo, porém é um conhecimento da realidade tal como é para nós, seres humanos, e não da realidade em si.

O relativismo defende que não existe conhecimento universal e objetivo da realidade, porque todo conhecimento é relativo ao indivíduo ou à sua cultura. Ao contrário dos céticos, que negam a possibilidade de conhecimento, os relativistas defendem que somos capazes de conhecer a realidade, porém esse é um conhecimento condicionado pelo indivíduo ou pela sociedade em que este vive. Assim, algumas culturas acreditam na existência de muitos deuses, enquanto outras em um apenas. Para um relativista, ambas estão corretas em suas crenças. Ambas conhecem a existência de seus deuses.

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