Empirismo

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Última atualização agosto 2019

O empirismo é uma abordagem epistemológica segunda a qual o conhecimento sobre o mundo se origina apenas a partir da experiência sensorial. Empiria em grego significa experiência. De acordo com essa teoria, a única forma de conhecermos a realidade que nos cerca é através dos cinco sentidos: olfato, paladar, tato, audição e visão.

Para conhecer o gosto de um alimento, precisamos do paladar; a textura de uma superfície, do tato; a cor de um objeto, da visão, e assim por diante. Então, dizemos que o conhecimento proveniente dessas fontes é conhecimento empírico.

O empirismo é o oposto do racionalismo, abordagem que pensa ser possível conhecer alguns aspectos da realidade apenas por meio da razão.

Desde o início da história da filosofia existe um debate entre empiristas e racionalistas. Os primeiros defendem que só é possível ter conhecimento do mundo através da experiência; os últimos, que a razão sozinha também é uma fonte capaz de oferecer conhecimento seguro sobre o mundo e esse conhecimento é até mesmo superior ao oferecido pela experiência.

A parte mais conhecida desse debate se deu na idade moderna, entre filósofos como Descartes, Espinosa, Leibniz (racionalistas), Locke, Hume e Berkeley (empiristas).

Vamos conhecer as características principais do pensamento empirista.

Para o empirismo, a única fonte de conhecimento genuíno é a experiência

Já falamos dessa característica acima, que geralmente é a primeira a ser lembrada quando falamos do empirismo e é inclusive a característica que dá nome a essa concepção sobre o conhecimento.

O empirista acredita que a única fonte de conhecimento genuíno do mundo é a experiência. Se não tivéssemos ela ou não fosse nada confiável, não poderíamos conhecer nada acerca dele.

Essa parece uma ideia trivial, afinal, como poderíamos conhecer o mundo se não através dos sentidos? Não é o que pensa um racionalista. Para esse, os sentidos são muitas vezes enganosos e a fonte de conhecimento mais confiável, se não a única, é a razão — foi isso que Platão, um dos primeiros racionalistas, defendeu em sua teoria das ideias.

Vamos entender melhor o que significa dizer que podemos conhecer o mundo através da razão.

Muitos racionalistas acreditam ser possível comprovar a existência de Deus através do puro raciocínio. Assim, alguns argumentaram que Deus existe porque é um ser perfeito. Ora, um ser perfeito tem todas as qualidades possíveis: é bondoso, sabe tudo etc. Mas Deus não seria perfeito se tivesse no máximo possível todas as qualidade e não existisse. Um ser que não existe não é perfeito. Portanto, dado que Deus é perfeito, deve existir.

Note o que está por trás desse argumento. O racionalista supõe que, sem jamais termos observado qualquer coisa que pudéssemos chamar de Deus, podemos ainda assim ter certeza de sua existência apenas raciocinando sobre um conceito que temos em nossa cabeça.

O empirista critica esse tipo de abordagem porque pensa que não podemos conhecer nada sobre o mundo sem que tenhamos antes uma base de informação oferecida pelos sentidos.

Para o empirismo, não existem ideias inatas

Os empiristas argumentam que quando nascemos nossa mente é uma tábula rasa. Ou seja, uma folha em branco na qual a experiência irá escrever tudo o que sabemos. Portanto, não existem nela ideias inatas, ideias já presentes desde o nascimento.

A alegação de que não existem ideias inatas também é uma polêmica com o racionalismo. Na visão de filósofos como Platão e Descartes, a mente já nasce com algumas ideias e tais ideias são verdades inquestionáveis.

Tome, por exemplo, a ideia de perfeição. De onde veio tal ideia? Já nascemos com ela ou conhecemos através de nossos sentidos? Para racionalistas, como não existe nada perfeito que possamos ter observado,  ela deve ter sido introduzida em nossa natureza por um ser perfeito que é Deus.

Para os empiristas, sua origem é outra. Locke, por exemplo, argumenta que primeiro temos a ideia de imperfeição a partir do observamos no mundo. Em seguida, em nossa mente, imaginamos como seria remover as imperfeições e chegar a algo perfeito. A partir disso, formamos, em nossa mente, sem a interferência divina, a ideia de perfeição.

Hume, por outro lado, apresenta também a hipótese de que muitas ideias que temos em nossa mente e não podem ser observadas na realidade são ideias complexas que formamos a partir de outras ideias simples, que podem ser observadas.

Tome como exemplo a ideia de unicórnio. Unicórnios não podem ser observados por aí, mas isso não significa que essa seja uma ideia inata. Essa ideia é a junção, feita pela imaginação humana, de duas ideias que somos capazes de observar: cavalo e chifre. Juntamos essas ideias numa certa ordem e a partir disso formamos a ideia de unicórnio.

Para o empirismo, não existe conhecimento infalível

Os racionalistas, em geral, são muito mais confiantes na capacidade humana de conhecer a realidade com absoluta certeza. Descartes é um bom exemplo disso. Acreditava ter chegado, em sua filosofia, à verdades indubitáveis.

O ideal de conhecimento de um racionalista e a matemática. Nessa disciplina, dois mais dois é quatro e tal afirmação é indiscutivelmente verdadeira. Tanto Descartes quanto Platão, dois filósofos racionalistas, se inspiraram de alguma forma na matemática ao pensar a filosofia.

Os empiristas, por outro lado, pensam que o conhecimento possível ao ser humano está sujeito ao erro e, para alguns, é sempre provisório. Ou seja, jamais poderemos chegar à certeza absoluta sobre o que for. Uma das expressões mais visíveis dessa característica do pensamento empirista é o falsificacionismo de Karl Popper. Esse filósofo argumenta, por exemplo, que não existe qualquer garantia definitiva de que uma teoria científica é verdadeira. Mesmo uma teoria amplamente aceita a um longo tempo pode acabar se revelando falsa. Assim, o conhecimento humano é sempre provisório.

Referências consultadas

William F. Lawhead. The philosophical journey, and interactive approach. New York: McGraw-Hil, 2011.