Informações
- Palavras-chave: animal social, o homem é o lobo do homem, trabalho, linguagem, natureza humana.
- Ano: Ensino Médio.
- Duração: 7 aulas de 50 minutos
Breve resumo da unidade
Nessa unidade, os estudantes irão refletir sobre o que é o ser humano e o que nos diferencia de outros animais a partir da participação em um júri simulado sobre um caso envolvendo duas pessoas que libertaram um golfinho em 1977 e no julgamento surgiu a questão: o golfinho é uma pessoa? Ao longo do processo de preparação para o debate os estudantes irão trabalhar em grupos, ler um livro da Cécile Robelin, intitulado O que é um homem, e conhecer através disso diferentes teorias filosóficas sobre a natureza humana e a diferença entre humanos e outros animais. Por fim, parte da turma participará do júri como advogado de defesa e advogado de acusação e outra parte como júri, avaliando a qualidade da argumentação de cada grupo de advogados e qual se saiu melhor na defesa de seu ponto de vista. Ao longo das aulas os estudantes irão explorar diferentes ideias filosóficas sobre a natureza humana, incluindo o pensamento de Aristóteles, Hobbes, Descartes e Marx.
Observações
Esse plano de aula segue uma metodologia de planejamento bem específica, desenvolvida por Grant Wiggins e Jay Mctigue, em um livro chamado Planejamento para a compreensão: alinhando currículo, avaliação e ensino por meio do planejamento reverso. Caso a organização inicial do planejamento seja um pouco difícil de compreender, vá até o estágio 3, aí irá encontrar um passo a passo mais comum e acessível.
Todos os recursos usados no planejamento estão disponíveis ao final do plano, em Materiais, recursos e referências e como links ao longo do texto.
🎯 Estágio 1: identificar os resultados desejados
Competências e habilidades BNCC:
(EM13CHS101) Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos e culturais.
(EM13CHS103) Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, sociais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (textos filosóficos e sociológicos, entre outros).
Que perguntas essenciais serão consideradas?
- O que é o ser humano?
- O que diferencia os seres humanos de outros animais?
Que compreensões são desejadas?
- Compreender que seres humanos e animais compartilham várias habilidades em comum, mas ao mesmo tempo possuem essas habilidades em diferentes níveis.
- Compreender que é possível discutir de forma e respeitosa e produtiva com aqueles que pensam diferente de nós.
Que conhecimentos-chave e habilidade os alunos irão adquirir como resultado desta unidade?
Os alunos saberão…
- Conceitos-chave: animal social, o homem é o lobo do homem, conceito de trabalho de Marx, diferença entre comunicação e fala, conceito de pessoa.
- Nomes e referências básicas sobre alguns filósofos: Aristóteles, Thomas Hobbes, Descartes e Karl Marx.
- Argumentos a favor e contra a ideia de que alguns animais podem ser considerados pessoas.
- Critérios para avaliar a qualidade da argumentação de um grupo de pessoas.
Os alunos serão capazes de…
- Utilizar diferentes conceitos sobre diferenças entre humanos e animais para justificar um posicionamento sobre debates contemporâneos envolvendo a relação entre seres humanos e animais.
- Participar da simulação de debate de forma respeitosa e produtiva.
- Ler e interpretar textos, identificar suas ideias chave e argumentos.
🔬 Estágio 2: Determinar evidências aceitáveis
Que compreensões ou objetivos serão avaliados por meio desta tarefa?
Tarefa
- Leitura e registros sobre um dos capítulos do livro O que é um homem, de Cécile Robelin.
- Elaboração de uma lista de argumentos.
- Participação no debate.
- Elaboração de um mapa mental e apresentação para o professor.
Intencionalidade
- Observar se são capazes de compreender ideias chave e argumentos em um texto.
- Observar se são capazes de utilizar argumentos para justificar um posicionamento.
- Observar e conseguem respeitar a divergência de opinião e se portar de forma respeitosa nessa situação, usando argumentos para sustentar opiniões e não abordagens violentas.
- Observar se compreenderam as grandes ideias e questões exploradas ao longo das aulas.
Por meio de que tarefa de desempenho autêntica os alunos demonstrarão compreensão?
Um golfinho é uma pessoa?
Esta questão surgiu durante o julgamento das duas pessoas que, em maio de 1977, libertaram dois golfinhos-nariz-de-garrafa usados para fins experimentais pelo Instituto de Biologia Marinha da Universidade do Havaí.
Kenneth Le Vasseur, o primeiro dos dois homens a ser julgado, tentou através de seu advogado o que é chamado de defesa do "mal menor”. Em princípio, a lei permite isso nos casos em que um ato, de outra forma censurável, é necessário para evitar um mal maior. Para que essa defesa tenha sucesso, o ato deve ser a única maneira de evitar um dano ou mal iminente e mais grave para si mesmo ou para “outro”. Le Vasseur, que esteve envolvido no cuidado dos golfinhos, disse que o cativeiro colocava a vida dos golfinhos em risco.
Na defesa de Le Vasseur, o advogado falou da natureza excepcional do golfinhos, das péssimas condições em que eram mantidos no laboratório, com excesso de trabalho e pouca alimentação, o isolamento de outros golfinhos e a falta de brinquedos, de tal forma que um dos golfinhos, conhecido como Puka, desenvolveu comportamentos autodestrutivos e, depois de um tempo, não tinha mais disposição para nada.
Vendo isso e temendo que a morte fosse o resultado, sabendo que não havia lei a que pudesse recorrer, Le Vasseur julgou-se autorizado a soltar os golfinhos. A libertação não foi um roubo, pois ele não pretendia ganhar nada para si mesmo.
Será que Le Vasseur fez a coisa certa? O juiz achou que não. Ele disse que “outro” do qual fala a lei do mal menor teria que ser outra pessoa, e definiu os golfinhos como propriedade, não como pessoas. Um golfinho não poderia ser “outra pessoa” segundo o código penal.
Ainda assim, podemos nos perguntar: Le Vasseaur estava certo? Será que a lei do mal menor se aplica nesse caso? Será que um golfinho é uma pessoa? Ou, ainda, será que é correto desrespeitar as leis em alguns casos?
Que qualidades o aluno deve demonstrar para significar que as expectativas de aprendizagem foram atingidas?
- Explorar diferentes tipos de argumentos filosóficos durante o debate, tanto envolvendo diferenças entre animais e seres humanos quanto a questão da desobediência civil.
- Tratar colegas de debate de forma respeitosa, usando argumentos para justificar um posicionamento e não ataques pessoais ou outras formas de agressão.
🗺️ Estágio 3: Planejar experiências de aprendizagem
Atividades de aprendizagem:
Que experiências de aprendizagem e ensino possibilitarão que os alunos alcancem os alunos alcancem os resultados desejados?
Primeira aula (50 min)
1 - Essa sequência de aula pode começar com a apresentação da situação que irá motivar o debate (disponível aqui). O professor pode pedir para que alguns alunos leiam para a turma a situação e abrir para que os estudantes possam manifestar suas impressões e posicionamentos iniciais. Além disso, converse sobre os objetivos centrais do plano, o que espera que os estudantes aprendam.
2 - Organize os estudantes em grupos com em torno de 5 alunos. É nesses grupos que irão estudar e se preparar para o debate. Esse também é um dos momentos para definir qual será o posicionamento de cada um dos grupos. O ideal é garantir que metade dos grupos atuem na defesa e a outra metade na acusação. Além disso, avise que pelo menos 2 integrantes de cada grupo terão que participar como advogados no debate. Os demais funcionarão como júri.3 - Para os estudantes se apropriarem das discussões necessárias para o debate, farão várias atividades de pesquisa. Primeiro, leia com a turma, se possível, o primeiro capítulo O que é um homem, de Cécile Robelin. O livro está disponível na Árvore de Livros (aqui), uma plataforma adotada inclusive na rede pública de ensino de alguns estados, como o Rio Grande do Sul. Esse é um livro indicado para Ensino Fundamental 2, então mesmo estudantes do primeiro ano terão facilidade para compreender. Além disso, por se tratar de um diálogo entre um cachorro e um ser humano sobre o que é um homem, a leitura pode ser bastante envolvente.
Segunda aula (50 min)
4 - Individualmente, cada integrante do grupo deve ler um dos capítulos e fazer registros. Oriente que eles podem escolher o capítulo que desejam ler (conforme a lista de temas, disponível aqui), desde que escolham capítulos diferentes dos escolhidos pelos colegas de grupo.
Terceira aula (50 min)
5 - Nessa aula, depois que cada estudante do grupo leu um capítulo e fez registros, peça para que aqueles que escolheram o tema 1 se sentem em um grupo com colegas que também escolheram o tema 1. Para os que escolheram o tema 2, com quem escolheu o tema 2 e assim sucessivamente. Nesse momento, eles devem conversar com os colegas que leram sobre os mesmos temas sobre uma questão (clique nas setas ao lado de tema 1, tema 2 e etc para ver as questões, no mesmo material com os temas de leitura). Cerca de 20 minutos é suficiente para essa conversa. Em seguida, peça para retornem para o grupo base e compartilhem com esse grupo as ideias do capítulo que leram e discutiram com os colegas.
Quarta aula (50 min)
6 - Durante essa aula, os estudantes terão tempo para explorar materiais de pesquisa adicionais e preparar argumentos para o debate. Alguns materiais já estão disponíveis nos recursos de pesquisa (disponíveis aqui). Peça para que façam registro dos argumentos elaborados ao longo desse processo para usarem como material de consulta durante o debate e, depois do debate, essa pode ser uma das formas de avaliar o trabalho individual e do grupo.
Quinta aula (50 min)
7 - Nessa aula os estudantes farão o debate. Organize a sala com duas classes de frente uma para a outra e peça para que os advogados de defesa fiquem de um lado e os advogados de acusação de outro. Nesse momento, advogados de diferentes grupos irão se unir e trabalhar como uma equipe, na defesa ou na acusação. Se possível, organize também as cadeiras para o júri. Geralmente os adolescentes gostam de desempenhar papéis e organizar o espaço de modo a parecer um tribunal aumenta a imersão no processo e o envolvimento.
8 - O próximo passo é passar as orientações sobre o funcionamento do debate. No material com as orientações para os estudantes (disponível aqui) há uma apresentação, que você poderá fazer cópia e editar ou usar como está, que contém informações sobre tempos de fala e a sequência do debate.
9 - Também é necessário conversar com o júri, sobre os critérios de avaliação que irão considerar ao avaliar o desempenho dos colegas no debate. Na mesma seção dos materiais com orientações para os estudantes que contém as orientações para o debate, há uma rubrica de avaliação com critérios. Se possível, imprima uma folha e entregue para cada um dos integrantes do júri e oriente quanto ao preenchimento.
10 - Durante o debate, use um cronômetro para controlar o tempo de fala de cada grupo e insista para que respeitem esse tempo. Algo corriqueiro nas primeiras vezes que os estudantes participam de debates é tentar responder quando o outro grupo faz uma pergunta ou crítica, mesmo não sendo seu tempo de fala. Insista para que não façam isso, registrem em algum lugar o que gostariam de comentar e esperem sua vez de falar, para manter a conversa organizada e produtiva. Outro elemento importante é fazer pausas entre as falas, isso ajuda os grupos pensarem no que vão responder e melhora a qualidade do debate. Depois de cada um dos momentos que está dividido o debate (fala inicial, discussão 1 e discussão 2), pode ocorrer um intervalo de cerca de 2 minutos para os grupos pensarem suas respostas e novas colocações.
11 - Depois de concluído o debate, se reúna com o júri e discuta brevemente qual foi o grupo que se saiu melhor na argumentação, considerando os critérios que estavam avaliando. Peça para que alguns alunos se pronunciem e por fim faça uma votação, caso não haja consenso. Comunique o resultado para os debatedores e peça para que os integrantes do júri entreguem para os colegas sua avaliação de como se saíram no debate.
Sexta aula (50 min)
12 - Durante a leitura do livro e da pesquisa em geral os estudantes irão se deparar com alguns nomes de filósofos clássicos. Depois do debate, para ajudar a identificarem esses nomes e relacionarem com as ideias, além de praticar a leitura em sala de aula, divida a turma em 4 grupos, e entregue um texto (disponível nesse link) para cada grupo. Deixe 5 minutos para lerem e mais 5 para discutirem entre si o que o texto quer dizer. Depois disso, peça para que um integrante do grupo comente o que o grupo entendeu do texto. Se necessário, releia com toda a turma o texto e faça esclarecimentos adicionais.
Sexta aula (50 min)
13 - Para encerrar as aulas e ter mais uma ferramenta de avaliação individual, a proposta é pedir para que os estudantes façam um mapa mental do que foi discutido em aula sobre o que é o ser humano e o que diferencia ele de outros animais.
Apresente a seguinte proposta:
Crie um mapa mental organizando as principais diferenças entre seres humanos e animais.
Depois de mapear várias diferentes, retome o que estudamos sobre filósofos e relacione o pensamento deles com o que você pensou. Você pensou como eles em alguns casos? Pensou diferente? Faça essas relações em seu mapa mental. Ao fazer isso, é importante colocar o nome do filósofo e seu pensamento.
Enquanto os estudantes criam o mapa, circule e converse sobre as relações que estão fazendo. Essa é uma boa forma de observar o que estão aprendendo e ajudar os estudantes a fazer relações em alguns casos.
Materiais, recursos e referências
Orientações e materiais para os estudantes. Esse link contém orientações para o estudantes, materiais de pesquisa e todos os recursos usados ao longo do plano, incluindo os orientações com os tempos para o debate, rubrica de avaliação para ser usada pelo júri e os recortes de textos filosóficos para serem usados na penúltima aula.
Robelin, Cécile. O que é um homem? Rio de Janeiro: Record, 2018.
