Plano de aula sobre ceticismo

Por
William é formado em filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem especialização em docência e trabalha como professor de filosofia no ensino médio.
22 de setembro de 2019 - 6 min leitura

Identificação

  • Autor: William Godoy
  • Disciplina: Filosofia
  • Duração: duas aulas de 50 minutos
  • Público alvo: Ensino Médio

Objetivos da aula

Objetivo Geral

  • Compreender o conceito de ceticismo, tal como entendido na antiguidade, a relação entre razão e emoção de acordo com os céticos e seus usos atuais.

Objetivos específicos

  • Compreender o conceito de ceticismo antigo.
  • Relacionar a ideia de epoché e a um estado de tranquilidade, serenidade.
  • Relacionar estados emocionais (tranquilidade, medo) e juízos sobre o mundo.
  • Conhecer argumentos céticos sobre as limitações da capacidade humana de conhecer a realidade.
  • Aplicar o ceticismo a uma situação cotidiana e refletir sobre o valor dessa filosofia como um modo de vida.

Competências da BNCC

  • Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

Banco de questões e atividades de filosofia para professores

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52 Textos para anláise
Pequenos trechos de textos clássicos de filosofia para análise, muitos com atividades incluídas ao final.
11 Trilhas de aprendizagem
Recurso interativo com textos, vídeos, questões objetivas, feedback instantâneo e autocorreção.
4 Jogos
Jogos que podem ser usados na sala de aula com objetivo pedagógico.
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Conteúdo abordado

Nessa aula serão trabalhados os seguintes conceitos:

  • Ceticismo antigo.
  • Epoché.
  • Argumentos céticos.

Recursos didáticos

Passo a passo

Utilizando a apresentação disponível nos recursos didáticos, inicie a aula pedindo aos estudantes que pensem sobre a imagem que aparece no segundo slide da apresentação. Incentive a fazerem julgamentos sobre as pessoas que aparecem na foto, sobre quem são, o que fazem, de onde vem, seu modo de vida. Em seguida, destaque como é convide-os a refletirem sobre se essa tendência a formarmos juízos sobre tudo o que percebemos é comum ou não. Questione os alunos sobre as possíveis consequências desses julgamentos, tanto para outras pessoas como para quem faz.

Em seguida, apresente e conceito de ceticismo antigo e de epoché. É comum os estudantes associarem esse conceito à ideias como os céticos só acreditavam no que viam, não acreditavam em fantasmas nem em deuses. É importante insistir nesse ponto, mostrando que o ceticismo antigo era mais abrangente, incluindo inclusive o que podemos conhecer através da experiência.

O próximo passo é falar do ideal de vida cético: uma tranquilidade absoluta. Apresente a imagem do terceiro slide e questione os estudantes coisas como: o que está acontecendo no navio, que tipo de emoção as pessoas estão demonstrando, que emoção manifesta o homem de roupa azul e cabelo ruivo que se encontra no centro da imagem. Essa imagem é do século XVI, do artista Petrarca-Meister, e representa Pirro num navio durante uma tempestade. Como se sabe, Pirro é considerado o pai do ceticismo antigo e há muitas anedotas sobre seu comportamento. Nesse momento, também pergunte aos alunos por que um cético, que faz a epoché, é capaz de permanecer tranquilo apesar da situação assustadora. Explore, a partir disso, a relação entre nossas crenças sobre o mundo e nossos estados emocionais.

Para os céticos, existia uma conexão forte entre razão e emoção, pois acreditavam que nossos sentimentos dependem do que pensamos sobre o mundo. Como Pirro mantinha suspenso seu julgamento sobre as coisas, era capaz de evitar ser afetado pelo que ocorria em seu entorno.

Para encerrar a aula e mostrar como um cético se comportaria em situações cotidianas, algo importante para que os alunos sejam capazes de fazer a avaliação final desse plano de aula, peça para que os estudantes leiam a reportagem “Mulher espancada após boatos em rede social morre em Guarujá, SP” ou alguma semelhante, em que a falta de ceticismo levou a consequências trágicas. Proponha que pensem sobre qual seria a atitude de um cético diante da notícia e ao ver a mulher da rua, que tipo de questionamentos faria. Em seguida, peça para que compartilhem com a turma seus pensamentos.

O próximo passo é explorar alguns dos argumentos que os céticos utilizavam para criticar as pretensões dos filósofos que acreditavam ter alcançado o conhecimento. Faça uma rápida apresentação inicial breve sobre alguns dos argumentos céticos. Usando as imagens dos slides 6 e 7, peça para que tentem identificar o que representa as imagens e qual conclusão os céticos tirariam dessas imagens ambíguas.

Para tornar os argumentos céticos mais concretos, divida a turma em grupos e distribua para cada um deles uma história, pesquisa, fato que ilustre aspectos dos argumentos céticos.

Alguns exemplos:

Depois de lerem os textos, peça para os grupos apresentarem para a turma o assunto abordado no texto e relacionar esse tema com algum dos argumentos céticos apresentados na aula.

Depois que todos apresentarem, faça um resumo dos principais pontos abordados na aula e proponha a atividade de avaliação.

Avaliação

A compreensão dos conceitos e habilidade propostas como objetivo desse plano de aula será avaliada através de produção de um texto cujo tema é “como é ser um cético hoje?”. Os estudantes deverão demonstrar, através do texto, a compreensão dos conceitos abordados na aula e a habilidade de relacioná-los com certos aspectos de suas vidas.

A sugestão é que a redação seja avaliada através de uma rubrica previamente disponível aos estudantes, entregue junto com a proposta da redação (veja nos recursos didáticos). Isso torna o processo de correção mas prático para o professor, menos arbitrário e mais transparente para o aluno. Além disso, permite que o estudante saiba em que aspectos seu texto deve ser melhorado. Seria interessante, inclusive, permitir, depois de algum auxílio, que aqueles alunos que não conseguiram alcançar os objetivos no trabalho tenham a oportunidade de complementá-lo ou refazê-lo.

Referências

Empiricus, Sextus. Outlines of scepticism. Cambridge University Press: New York, 2007.

Shermer, Michael. Cérebro e crença. São Paulo: JSN Editora, 2012.

Vogt, Katja, “Ancient Skepticism”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Fall 2018 Edition), Edward N. Zalta (ed.), URL = <https://plato.stanford.edu/archives/fall2018/entries/skepticism-ancient/>.

Tatim, William Godoy. Plano de aula sobre ceticismo. Filosofia na Escola, 2019. Disponível em: < https://filosofianaescola.com/ensinar/plano-de-aula-sobre-ceticismo/>. Acesso em: 25 de Jul. de 2021.

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