Plano de aula sobre o estoicismo

Por
William é formado em filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem especialização em docência e trabalha como professor de filosofia no ensino médio.
setembro 2019 - 5 min de leitura

Esse plano de aula trabalha alguns conceitos centrais do estoicismo e propõe uma atividade na qual os estudantes terão que experimentar, por alguns momentos, como é viver de acordo com essa filosofia, refletindo sobre sua experiência e sobre si mesmos.

Objetivos

Objetivo geral

  • Promover o autoconhecimento.

Objetivos específicos

  • Diferenciar, numa perspectiva estoica, coisas que estão sob o controle humano daquelas que não estão.
  • Compreender como as emoções são dependentes do pensamento.
  • Reconhecer padrões de pensamento típicos de certas emoções.
  • Refletir sobre as próprias ações, pensamentos e emoções e sobre como estão conectados.

Primeira aula

O início de uma aula deve ser pesado, na medida do possível, para engajar os estudantes e prender sua atenção no conteúdo que será trabalhado. Há várias formas de fazer isso.

Nessa aula, vamos propor aos alunos uma reflexão inicial em grupo sobre uma frase de Arthur Schopenhauer: “o destino é cruel e os homens são dignos de compaixão”.

Escreva a frase no quadro e proponha aos estudantes que, em duplas ou trios, reflitam sobre seu significado e sobre o que há de verdadeiro e, talvez, exagero na afirmação do filósofo. Defina um tempo para isso, em torno de cinco minutos é suficiente. Em seguida, convide os estudantes a compartilharem seus pensamentos com a turma. Essa tarefa inicial serve para direcionar a atenção para aquele que é o tema central do pensamento estoico: levar a vida num mundo imprevisível, governado pela fortuna.

Depois dessa discussão inicial, escreva no quadro e proponha para a turma outra questão: como levar a vida num mundo imprevisível, marcado pelo sofrimento? Essa será a questão central em torno da qual as aulas sobre estoicismo irão girar.

Nesse momento, passe a apresentar algumas infirmações históricas e conceituais sobre a filosofia estoica: em que momento surgiu, o significado associado à conceitos como “pessoa estoica”, “estoico”, “suportar estoicamente o sofrimento”. Para ilustrar isso com histórias reais, conte sobre a morte de Sêneca e a história de James Stockdale quando se tornou prisioneiro de guerra no Vietnã, sobre como encararam essas situações difíceis.

O próximo passo, agora, é mostrar como essa atitude de vida está relacionada com uma série de pensamentos e ideais característicos da filosofia estoica, o tema da próxima aula.

Segunda aula

Um dos elementos centrais da ética estoica é a distinção entre coisas que podemos controlar e coisas que estão fora de nosso controle.

Faça duas listas no quadro, numa delas coloque como título “Estão sob nosso controle” e em outra “Estão fora de nosso controle”. Em seguida peça para que os alunos deem sua contribuição. É importante sugerir aos estudantes alguns elementos, caso eles não citem espontaneamente. Em especial, questione em qual das listas incluir certas atitudes e emoções humanas, como medo, tristeza, alegria, raiva, etc.

A próximo passo é, dialogando com os estudantes, mostrar porque as únicas coisas que de fato podemos controlar são nossas emoções e atitudes. Acontecimentos, fatos e até mesmo os resultados de nossas ações não estão sob nosso controle.

Os estoicos acreditavam que emoções estão sob nosso controle porque não são desejos espontâneos e incontroláveis. Para eles, ao contrário, as emoções estão relacionadas a pensamentos que alimentamos. Assim, na medida em que mudamos esses pensamentos, também podemos mudar nossos estados emocionais.

Mostrar para os estudantes essa conexão entre pensamento e emoção segundo a visão estoica é o principal objetivo da aula, então é necessária especial atenção nesse tópico.

Sugerimos analisar com os estudantes algumas emoções importantes, como a tristeza, alegria, a raiva e que pensamento as provoca ou neutraliza.

Atividade

Como seria viver de acordo com os ensinamentos estoicos por um dia? O que faria de diferente? Como reagiria aos acontecimentos? O que pesaria sobre sua vida?

A filosofia estoica não é simplesmente uma série de conceitos para serem memorizados ou discutidos. Seguindo o que diz Pierre Hadot sobre o sentido da filosofia antiga, propomos que ela seja em alguma medida vivida pelos estudantes. Evidentemente não se trata de exigir que se tornem estoicos, afinal a escola não é uma igreja, mas propor uma atividade na qual terão que experimentar algumas das ideias discutidas em aula e refletir sobre essa experiência e sobre si mesmos.

Essa atividade se chama Sendo estoico por um dia. Peça para os alunos que, em alguns momentos em um dia, pensem nas ideias apresentadas em aula e as coloquem em prática. Ao final do dia, escrevam uma carta para um amigo relatando como foi fazer isso. É importante que esse relato não seja apenas uma descrição impessoal de eventos externos, mas uma análise sobretudo dos sentimentos e pensamentos que ocorreram.

Como se trata de um texto pessoal, talvez alguns alunos se sintam desconfortáveis em escrever e entregar para o professor. Para contornar isso, a carta pode ser entregue para um colega da sala. Outra possibilidade é se comprometer a não ler o conteúdo da carta, apenas olhar a extensão do texto para verificar se o trabalho foi concluído. Veja qual das opções é a mais adequada para a situação.

Recursos adicionais

Kendall, Bridget. Estoicismo, a filosofia de 2 mil anos cada vez mais usada como receita para sobreviver ao caos.

De Botton, Alain. As consolações da filosofia. Porto Alegre: L&PM, 2014.

Hadot, Pierre. O que é filosofia antiga. São Paulo, Loyola, 2010.

O estoico. Como iniciar o estudo do estoicismo.

Newsletter

Receba periodicamente novas publicações em seu e-mail.