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Filosofia do humor

Por que algumas piadas nos fazem rir até chorar, enquanto outras nos deixam desconfortáveis? O que há de engraçado em situações que, no fundo, não parecem tão felizes assim? Por que às vezes rimos de coisas que nem conseguimos explicar direito? E o que o riso diz sobre nós mesmos, nossos desejos, nossos medos, nossas ideias sobre o mundo?

Ao longo da história da filosofia, embora o humor nunca tenha sido um tema central, vários filósofos pararam para pensar nessas questões. Em diferentes épocas, tentaram entender o que provoca o riso e por que ele surge em certos momentos. Disso nasceram algumas teorias filosóficas do humor, que procuram explicar o que está por trás dessa reação aparentemente simples, mas cheia de significado.

Uma das primeiras explicações conhecidas é a teoria da superioridade, associada principalmente ao filósofo inglês Thomas Hobbes, no século XVII. Segundo essa teoria, rimos quando percebemos alguma falha ou fraqueza no outro  e, por isso, nos sentimos superiores. A graça estaria na comparação: alguém errou, escorregou, falou algo tolo e isso nos dá a sensação de vantagem, nem que seja por um instante. O riso, nesse caso, revela uma forma de autoafirmação.

No início do século XX, uma proposta bastante diferente foi apresentada por Sigmund Freud, fundador da psicanálise. Na chamada teoria do alívio, Freud defende que o riso surge como uma forma de descarregar tensões internas. Emoções reprimidas, como raiva, vergonha ou desejo, encontram no humor um caminho de saída. Por isso, muitas piadas envolvem temas que normalmente evitamos ou censuramos. Rir, nesse caso, é uma forma de aliviar algo que estava acumulado dentro da gente.

Já a teoria da incongruência, desenvolvida por filósofos como Immanuel Kant no século XVIII e Arthur Schopenhauer no século XIX, propõe outra explicação. Para eles, o humor nasce quando algo rompe com nossas expectativas. Estamos seguindo um raciocínio, esperando um desfecho lógico e, de repente, acontece algo completamente inesperado. Essa quebra surpreendente, esse desajuste entre o que imaginávamos e o que acontece, é o que provoca o riso. A graça mora no absurdo.

Essas teorias não precisam ser vistas como concorrentes. Na verdade, cada uma aponta para um aspecto diferente do humor: a comparação social, o alívio emocional, a surpresa lógica. Juntas, elas mostram que o riso é um fenômeno complexo e pensar sobre ele pode ser uma forma de pensar sobre nós mesmos.

Referência

MORREALL, John. Philosophy of Humor. In: ZALTA, Edward N.; NODELMAN, Uri (eds.). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Disponível em: https://plato.stanford.edu/archives/fall2024/entries/humor/. Acesso em: 7 ago. 2025.