John Locke | Filosofia na Escola

John Locke

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John Locke é um filósofo inglês, pai do liberalismo político, um dos principais representantes do empirismo e criador de conceitos como tábula rasa.

John Locke (1632-1704) é um filósofo inglês conhecido como um dos pais do liberalismo político, defensor do direito à propriedade privada e do governo constitucional, um dos principais representantes do empirismo moderno e criador de conceitos como tábula rasa. De modo que sua filosofia influenciou movimentos políticos como a revolução americana e francesa, e filósofos como Berkeley e Hume.

Biografia

John Locke nasceu em uma família de classe média em 28 de agosto de 1634, em Wrington, Inglaterra. Seu pai trabalhava como advogado no governo local e possuía propriedades que produziam uma renda modesta.

Locke recebeu uma educação extraordinariamente diversa desde a infância. Sua educação formal começou em 1647 na prestigiada Westminster School for Boys. Mais tarde, ele estudou uma grande variedade de literatura, ciência física, medicina, política e filosofia natural na Christ Church em Oxford, onde se instalou em 1652.

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Em 1665, Locke conheceu e tornou-se amigo de Lord Ashley, um estadista que tinha vindo a Oxford para tratamento médico. Os dois se tornaram amigos e Ashley convidou Locke para se juntar a ele em Londres na Exeter House como seu médico pessoal. Locke concordou e partiu para Londres em 1667, onde viveu pelos oito anos seguintes.

Os interesses políticos de Locke já haviam começado a prevalecer sobre seus experimentos em ciência e medicina, e eles se aprofundaram enquanto vivia com Ashley. Nesse período, Locke trabalhou em vários cargos no governo, o que continuaria fazendo ao longo de sua vida.

Locke esteve exilado durante um longo tempo por perseguição política. É ao final desse período que publica suas obras mais importantes: Um ensaio sobre o entendimento humano (1690), no qual apresenta sua teoria do conhecimento, e Dois tratados sobre o governo civil (1690), onde expõe sua filosofia política.

Além desses livros, Locke é autor de Cartas sobre a tolerância (1689) e A racionalidade do cristianismo (1695).

Depois de retornar à Inglaterra, se torna membro do Parlamento, onde permanece até 1704, ano de sua morte.

A teoria do conhecimento de Locke

Em um 1689 Locke publica seu Ensaio acerca do entendimento humano, livro no qual defende sua teoria do conhecimento. O objetivo de sua teoria era explicar como conhecemos a realidade e, assim, definir quais as possibilidades e limites de nosso conhecimento.

Para entender as ideias de Locke sobre o conhecimento é importante situá-lo em um debate mais amplo. Na filosofia existe uma longa discussão entre defensores das ideias inatas e partidários da tábula rasa. Para os primeiros, a mente humana já nasce com algumas ideias fundamentais. Descartes e Platão foram dois defensores importantes dessa perspectiva. Já os segundos, como Locke e Hume, pensam que a mente ao nascer é como um papel em branco, sem nada escrito, que será preenchido através da experiência.

Alguns defensores das ideias inatas acreditavam que alguns conteúdos existentes em nossas mentes, como a ideia de Deus, normas morais, o princípio de não-contradição, já nascem conosco.

Locke critica essa teoria afirmando que  a crença de que a ideia de Deus ou princípio morais são inatos não se sustenta se considerarmos que algumas culturas sequer sequer sabem o que é Deus e têm costumes muito diferentes. Ora, se de fato fossem inatas, tais ideias deveriam estar presentes em todos os seres humanos.

A filosofia política de Locke

A vida política inglesa durante a vida de Locke foi marcada por dois conflitos fundamentais. Um político, entre o rei e o parlamento em torno do poder de comandar a Inglaterra e outro religioso, entre anglicanos, protestantes e católicos. A natureza e os limites do governo e o tema da liberdade religiosa, centrais no pensamento de Locke, estão relacionados a esse contexto histórico.

Inicialmente Locke acreditava que a religião da população deveria ser definida pelo Estado, de modo que houvesse uma única fé e ninguém possuísse liberdade nesse campo. Porém, depois de uma viagem ao exterior, onde observou uma comunidade em que diferentes seitas religiosas viviam em harmonia, mudou suas ideias o que o levou a escrever Cartas sobre a tolerância (1689), livro no qual defende a tolerância e a liberdade religiosa.

Além da liberdade religiosa, Locke também foi defensor de uma série de outros aspectos do liberalismo político.

Em primeiro lugar, era contra a ideia de direito divino dos reis. A teoria do direito divino dos reis era usada na época para justificar a monarquia, pois de acordo com essa teoria algumas pessoas têm o direito de governar, já que foram escolhidas por Deus, enquanto outras têm o dever de obedecer.

Ao contrário disso, Locke defendia que o governo deve ter o consentimento da população. Segundo o filósofo, originalmente os seres humanos vivem em um estado de natureza, isto é, numa condição na qual não existe um governo que obriga que a população respeite determinadas leis. Porém, nessa condição existe uma série de inconveniente, pois as pessoas não respeitam os direitos umas das outras.

Para resolver esses inconvenientes é que optam por criar um governo para promover o bem comum. E assim surge o governo de acordo com o contratualismo: não de um comando divino, mas do consentimento da população.

Em segundo lugar, Locke defendia um governo constitucional. Isso quer dizer que o governo não está acima das leis, ao contrário, também deve respeitá-las. E essas leis devem garantir o direito à vida, à propriedade e à liberdade. Caso o governo desrespeite os direitos fundamentais pelos quais deve zelar, os cidadãos têm o direito de se rebelar e substituí-lo.

Referências consultadas

Reale, Giovanni. História da filosofia: de Spinoza a Kant. São Paulo: Paulus, 2005, pp. 91-113.

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