Falácias de ambiguidade: anfibologia e equívoco | Filosofia na Escola

Falácias de ambiguidade: anfibologia e equívoco

Falácias de ambiguidade ocorrem quando existe um duplo sentido em alguma palavra do argumento, seja nas premissas, seja na conclusão.

Anfibologia

A anfibologia é uma falácia que ocorre quando se usa uma frase gramaticalmente ambígua durante um raciocínio.

Exemplo:

Testes mostram que o cão não é parte lobo, como o dono suspeitava.

O dono suspeitou que o cachorro era parte lobo, ou não era parte lobo? Quem sabe? Tal como está escrita, poderíamos interpretar a frase tanto no sentido de

“o dono suspeitava que seu cão era em parte lobo, mas os testes mostraram o contrário.”

como no sentido de

“o dono suspeitava que seu cão era em parte lobo, o que foi confirmado pelos testes.”

A frase é ambígua e precisa ser reescrita para remover a falácia. Quando uma frase assim é usada em um argumento, cometemos a falácia da anfibologia.

Equívoco

O equívoco ocorre quando a conclusão depende do fato de uma palavra ou frase ser usada, seja explicitamente, seja implicitamente, em mais de um sentido.

Exemplo:

Alguns triângulos são obtusos.

Todo obtuso é ignorante.

Alguns triângulos são ignorantes.

Nesse argumento, a palavra “obtuso” é usada em mais de um sentido. No primeiro caso, se refere a um certo tipo de ângulo. No último, a uma pessoa que não tem conhecimento. Ao se confundir esses dois sentidos nas premissas do argumento, o resultado foi uma conclusão sem o menor sentido.

Todas as leis são criadas pelo governo.

A lei da gravidade é uma lei.

Portanto, a lei da gravidade foi criada pelo governo.

Nesse argumento, a palavra “lei” foi usada em dois sentidos diferentes. No primeiro caso se trata de uma lei política, criada para a sociedade. Já no segundo, trata-se de uma lei natural.

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