Apelo à força | Filosofia na Escola

Apelo à força

Apelo à força ocorre quando uma ameça é feita para persuadir alguém.

O apelo à força é uma falácia que ocorre quando algum tipo de ameaça é feita ao interlocutor para que aceite determinada conclusão como verdadeira.

O nome latino dessa falácia é ad Baculum, que literalmente seria traduzido como “com o báculo ou porrete”.

Um apelo à força é uma falácia porque não oferece razões para mostrar que uma afirmação é verdadeira. Uma ameaça é justamente usada naquelas situações em que as possibilidades de convencer através de razões se esgotaram ou não se tem razão alguma. Nessa situação, como última alternativa, se recorre ao medo para persuadir. Nesse sentido, o apelo à força é uma falácia de apelo à emoção.

Primeiro exemplo

Os nazistas costumavam enviar o seguinte aviso aos leitores alemães que deixavam sua assinatura vencer: “nosso jornal certamente merece o apoio de todos os alemães. Continuaremos a lhe enviar seus exemplares e esperamos que você não queira se expor à consequências desagradáveis em caso de cancelamento.”

O aviso enviado pelos nazistas é claramente uma ameaça que procura intimidar o leitor. O argumento é falacioso porque procura impedir que o leitor decida por si mesmo, considerando argumentos, o que considera ser o melhor. O apelo à força funciona justamente tentando anular o diálogo no qual a troca de argumentos acontece.

No entanto, é importante notar que nem todo apelo à força ou ameaça é falacioso ou ilegítimo. Não é incomum seu uso em situações, para reforçar uma ideia que pode ser justificada através de argumentos.

Segundo exemplo

Um aluno do Colégio Bons Argumentos é levado para a direção por ter agredido um colega. O diretor conversa com esse aluno, deixa claro as normas da escola e avisa que será suspenso por três dias. Além disso, insiste para que o acontecido não se repita, do contrário, diz, terá que expulsá-lo.

Nesse caso, uma ameaça de expulsão foi usada para convencer um estudante a adotar um comportamento pacífico. Essa é claramente uma forma de argumentar que apela ao medo e à consequências negativas. Tal prática é bastante disseminada e seria um erro considerá-la completamente ilegítima.  

No entanto, é importante que existam boas razões além da ameaça para a adoção de determinado comportamento e que a ameaça não seja usada para impedir o diálogo. Do contrário, se trata de um apelo à força totalmente ilegítimo.

Referência e leitura adicional

Walton, Douglas N. Lógica Informal: manual de argumentação crítica. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

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Lista de falácias