Falácia genética

falácia genética
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William é formado em filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem especialização em docência e trabalha como professor de filosofia no ensino médio.
novembro 2019 - 3 min de leitura

A falácia genética ocorre quando uma ideia é rejeitada com base em sua origem ou história.

Imagine você contando para um amigo que pensou em uma nova explicação para a origem do universo enquanto dormia. E ele respondendo

Se uma ideia teve origem num sonho, certamente ela está errada!

Seu amigo acaba de cometer a falácia genética ao rejeitar sua ideia apenas com base no que a originou.

Outro exemplo dessa falácia seria o seguinte. Você descobre que o Fusca da Volkswagen foi desenvolvido com o apoio de Hitler e com base nisso conclui que esse não era um bom carro. Novamente, está chegando a uma conclusão falaciosa por levar em consideração apenas a origem do carro.

Por que é uma falácia

O que torna uma teoria verdadeira são as razões que existem a seu favor. As causas que levaram ao seu surgimento não contribuem em nada para mostrar se é verdadeira ou falsa.

Existe uma lenda sobre como Newton descobriu suas leis do movimento. Conta a história que ele estava sentado embaixo de uma macieira descansando quando uma maçã caiu em sua cabeça. Esse acontecimento fez com que tivesse a ideia da atração gravitacional para explicar a queda dos corpos.

O fato de ter pensado isso ao descansar no parque ou numa escrivaninha enquanto lia e fazia anotações não torna a teoria mais ou menos verdadeira. A única coisa realmente importante para definir o valor de verdade de seu ideia são as evidências e razões apresentadas por Newton para comprová-la.

Uma pessoa que rejeitasse sua teoria porque foi causada pela queda de uma maçã estaria cometendo um erro grave de raciocínio.

Ver também  Apelo ao povo ou argumentum ad populum

A falácia genética nas ciências humanas

Nas ciências humanas, é comum a busca por explicações para certas ideias universais dos seres humanos. Uma das preferidas é a ideia de Deus. Qual a causa da crença em Deus?

Diferentes teorias já foram propostas. Karl Marx, por exemplo, pensava que as pessoas acreditam em Deus porque a religião oferece um conforto para a pobreza e o sofrimento.

Freud, por outro lado, via na ideia de Deus a satisfação de uma necessidade infantil. Deus representa para o adulto o que o adulto representa para a criança, um pai. Quando somos crianças sentimos, ao mesmo tempo, medo e desejo de sermos cuidados e protegidos por nossos pais. É justamente isso que as pessoas projetam em Deus. Por isso que Freud pensava que a religião servia para a satisfação de uma necessidade psicológica infantil.

Explicações causais para crenças humanas, como essas apresentadas por Freud e Marx, por si só não são falácias genéticas. Mas isso pode ocorrer quando são usadas como a única razão para rejeitar uma ideia. É sempre problemático usar apenas a origem de uma teoria como razão para não aceitá-la.

Como evitar

Não é difícil evitar usar ou ser enganado por uma falácia genética. Basta focar nas razões apresentadas em um debate, não na história ou causas das ideias em jogo. São elas que irão determinar se tais ideias são verdadeiras ou não.

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