Falácia do homúnculo

falácia homúnculo
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William é formado em filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tem especialização em docência e trabalha como professor de filosofia no ensino médio.
novembro 2019 - 2 min de leitura

A falácia do homúnculo ocorre quando explicamos um fenômeno recorrendo a outra instância desse mesmo fenômeno.

Por exemplo:

Marcos: Você pensa que, em última análise, a vida teve início como?

Sara: Penso que alienígenas vieram de uma galáxia distante e trouxeram formas simples de vida a milhares de anos atrás.

Marcos: Certo, mas como esses seres vivos de outras galáxias surgiram? Como a vida começou lá?

Sara: Bem, alienígenas de outra galáxia distante trouxeram essa vida a bilhões de anos atrás.

Através do exemplo, já deve ter percebido porque esse tipo de argumentação é falaciosa. Podemos imaginar alienígenas ao infinito e ainda assim não teremos explicado nada sobre a origem da vida.

Um exemplo clássico dessa falácia foi usado a alguns séculos atrás na tentativa de explicar a visão humana.

Ver também  Apelo ao povo ou argumentum ad populum

Alguns teóricos tentaram explicá-la afirmando que, quando olhamos ao nosso redor, a retina forma uma imagem dos objetos e uma pequena pessoa dentro de nossa cabeça (por isso homúnculo) observa essas imagens como se estivesse em um cinema.

Como se vê, a teoria do homúnculo dentro da cabeça não explica nada. Apenas transfere o problema para outra instância. Devemos perguntar agora como esse pequeno ser é capaz de ver as imagens. Ele também tem um homúnculo em sua cabeça?

Postular a existência de outro homúnculo só irá levar à suposição de um número infinito deles sem explicar nada.

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